Fábula- O BURRO E O PORCO

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Recontada por LuDiasBH

burro

Um homem, encontrando-se muito doente, prometeu ao deus Hércules que, se lhe devolvesse o vigor de antes, dar-lhe-ia um barrão de presente, o mais belo de sua manada. E assim, à medida que sua saúde ia voltando, ele ia alimentando o porco com a melhor cevada da região. Até que, encontrando-se em pleno gozo de suas forças, cumpriu a sua promessa, sacrificando o infeliz do barrão ao deus suplicado.

O dito homem também possuía um burro, encarregado de fazer os serviços mais pesados, o que não permitia que o infeliz engordasse. O bichinho era uma magreza só, com as costelas à vista. Foi então que o antigo enfermo resolveu lhe dar o resto da mesma cevada que dera ao jovem e finado varrão. Mas, ao encontrar no seu cocho tal alimento, o burro refugou dizendo:

– Com muita boa vontade eu comeria este delicioso alimento, se um dos meus amigos, nutrido por ele, não tivesse sido sacrificado.

Reflexão
Esta fábula levou-me a refletir sobre as pessoas que nunca aprendem com os exemplos de outrem, uma vez que esses valem por mil lições teóricas. O proveito que deles se tira, seja o fato bom ou ruim, está diante de nossos olhos, ao vivo e a cores, impregnando todos os nossos sentidos.

E por falar em exemplo, o mundo da política é para mim o mais esdrúxulo e maquiavélico de todos. Os exemplos pululam ali todos os dias, em quaisquer que sejam as estâncias, e ainda assim, essa gente recusa-se a aprender. Acredito eu que tal proceder deva-se ao acometimento desses indivíduos pela bactéria do “poder”, que devora qualquer laivo de racionalidade, botando no lugar o dolo, a má-fé e a astúcia, vacina eficacíssima contra o brio, a honra, a moral e a vergonha. É fato que nesta endemia, salvam-se alguns escassos sujeitos. Mas, para a tristeza dos mortais comuns, o privilegiado “estado” da Justiça, também vem sendo acometido por tal enfermidade, conforme demonstram um variado número de casos. Como o exemplo deve vir de cima, por parte daqueles que conduzem o destino do povo, rezo para que as gentes não sejam atingidas por uma epidemia semelhante.

O burro, como sabemos, fazia parte do povo, pois não foi acometido pela bactéria do “poder”. Caso contrário teria inflado o peito e dito: “Vou comer sim, raspar o cocho, ainda que essa ração possa ser empregada na alimentação de toda a bicharada da fazenda, pois com a autoridade que me cabe, nem Hércules ou Zeus porá a mão em mim. Se quiser, posso até comandar a assembleia dos porcos ou o senado das ovelhas.”. Mas, como ele era povão, o final infeliz do porco foi mais do que suficiente para ele. Não precisava de outra lição. Mas, nas bandas de lá (Legislativo, Executivo e Judiciário), no país do faz de conta, tudo é feito ao contrário do mundo real, onde vivem os mortais comuns.

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