Fábula – O BURRO E O VIOLINO

Recontada por LuDiasBH

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Andava o burro por uma campina, onde muitos piqueniques eram feitos nos finais de semana, quando se deparou com um violino. Abaixou-se perto do instrumento musical e, com a pata direita, tangeu algumas cordas, de onde se elevaram aos ares belas notas musicais. Extasiado com tal sonoridade, o animal exclamou:

– Que maravilha dos deuses! Pena que não tenho talento para a música. Se alguém com tão divino dom encontrá-lo, há de tirar daí maviosas melodias.

Após dizer isso, o burro continuou sua andança pelo parque, deixando o instrumento no mesmo lugar.

Reflexão
O ser humano nasce com talentos para isso ou aquilo, mas muitos desses dons perdem-se no decorrer da existência, pois o que não é usado acaba se enferrujando. Alguns não descobrem seu talento por falta de oportunidade ou incentivo, outros por não terem meios financeiros para poli-lo e grande parte por mera preguiça ou indolência. E assim, o mundo perde talentosos artistas, imersos no atoleiro do desinteresse. Alguns há que, de antemão, acham que não terão um lugar no mercado. Mas não é isso o que importa.

O talento, antes de inebriar, arrebatar ou enlevar outras pessoas à volta, maior bem faz a seu possuidor. Ainda que seu dono viva toda a sua existência no anonimato, ele terá enriquecido, maravilhado e tornado sua vida muito mais prazerosa, ao pôr em prática o dom recebido. É por isso que existem grandes artistas, nas mais variadas artes, donos de um talento arrebatador, imersos em seus quartinhos ou quintais, dando pouca bola para a publicidade. Eles apenas trabalham sua arte, e assim sentem-se felizes, enquanto outros, incensados, não passam de imitação barata e grosseira.

O mercado, em todo o mundo, não valoriza os artistas geniais que se escondem nos mais diferentes lugares de nosso planeta, pois a mídia trabalha com lucro, sem visar originalidade e criatividade. E, por isso, somos assolados por uma legião de fanfarrões, empavonados e arrogantes, falsos talentos que chegam ao estrelato por dinheiro, parentescos famosos ou simplesmente por caírem nas graças de um “diretor” desse ou daquele meio de comunicação. Pouquíssimas sumidades possuem a oportunidade de chegar ao topo, privando assim a humanidade de sua preciosa arte. Mesmo assim, fazem um bem danado a si mesmos.

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