Fábula – O CASAL E O DUENDE

Recontada por LuDiasBH

ocaedu

Os duendes, seres sobrenaturais, em tempos idos serviam como criados na casa de famílias burguesas, onde faziam o serviço de faxineiro, mordomo, jardineiro ou de pajem. E foi com a finalidade de trabalhar no jardim, que certa família burguesa, composta apenas por um pacífico casal, recebeu um deles.

Duende e família davam-se às mil maravilhas. Nada havia a reclamar de uma parte ou de outra. Mas, como na vida não há bem ou mal que sempre dure, o chefe da grei resolveu transferir o feliz duende para outra família, em razão do ciúme despertado em alguns espíritos mesquinhos, invejosos de tanta harmonia.

Tristonho, o duende, pelo bom tratamento recebido durante anos, prometeu satisfazer três pedidos do casal. Depois de muito pensar, marido e mulher pediram o dom da Abundância, sendo prontamente atendidos. E foram tantos os bens recebidos, que eles não mais sabiam onde os colocar. Aliado a isso vieram escrituras, contratos e controles, acabando com seus dias de paz. Depois chegaram os amigos a pedir empréstimos e também apareceram os malfeitores. Desesperado, o casal gritou pelo duende que, mesmo de longe, escutou e veio em seu socorro.

– Meu amigo, o dom da Abundância, que nos deste, está a fazer-nos mal. Livra-nos dele, pois desejamos viver como antes. Nada como ser gente comum, para gozar da tranquilidade. E como terceiro presente, pedimos-te que nos dê o dom da Sabedoria. – rogou o casal, sendo prontamente atendido.

Reflexão
Muitas pessoas passam a vida sonhando com riqueza, numa infelicidade sem tamanho. Outras tantas lançam mão de meios escusos para obtê-la. E quando a tem, acham-na insignificante, minguada, imperceptível, módica em demasia, em suma, insuficiente. Querem ter mais, muito mais. E ao acasalar a fortuna com o poder, a vaca vai para o brejo mais cedo do que se imagina.

É inexplicável a paixão que a fortuna e o poder exercem sobre certos indivíduos, tornando-os cada vez mais ávidos.  Numa proporção direta, quanto mais cresce a fortuna, maior torna-se o desejo de adquirir mais, a qualquer custo. Não causa surpresa o fato de esses tais acabarem se dando mal, pois perdem a noção da realidade. E tudo que foi adquirido, sendo na imensa maioria das vezes pilhado, torna-se uma dor de cabeça indizível. A riqueza e o poder adquiridos a qualquer custo cimentam a lama da falta de decência.

Na fábula, o casal percebeu, ainda cedo, que a sabedoria é o maior dos tesouros. Tal dom é responsável por guiar a vida das pessoas sensatas, levando-as a compreender que nada neste mundo paga a tranquilidade do dia a dia. Todos nós precisamos de muito pouco nesta nossa passagem efêmera por este planeta chamado Terra.

2 comentários sobre “Fábula – O CASAL E O DUENDE

  1. Edward Chaddad

    LuDias

    Sei disto tudo. Por isto nunca almejei riquezas, dinheiro ou honrarias, homenagens e tantas outras bobagens, que movem as pessoas, que não têm a noção da verdadeira riqueza que é a vida! A vida lega-nos a oportunidade para os prazeres maravilhosos do tato, da visão, da audição, do olfato e do paladar. Há quem goste de engolir uma simples marmelada, outro de cheirar uma flor, enxergar a beleza de um pássaro ou de uma paisagem, tocar alguém que ama. Imagine a riqueza de poder ouvir músicas maravilhosas.Já nascemos com o dom divino de viver. E com tudo isto que Deus nos deu, podemos ser felizes. Possuir, ter, apossar-se, buscar na matéria que está ao nosso alcance a felicidade é uma torpe idiotice.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Edward

      Você tem toda a razão. Não há presente maior do que os sentidos aliados à capacidade de reflexão. Nunca havia pensando nisso. Sem eles riqueza alguma possui valor.

      Abraços,

      Lu

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