Fábula – O CHARLATÃO E O REI

Recontada por LuDiasBH

Ocheor

Certo charlatão achou por bem escolher um lugar mais renomado para aprontar suas artimanhas. E foi assim que armou sua tenda próximo ao palácio de certo rei, para onde convergiam todos aldeões. Ele fazia das suas, enquanto um rapazola recolhia o dinheiro. Mas vendo-se rodeado por nobres, embasbacados com seus feitos, resolveu contar pabulagem:

– Eu viajei pelo mundo inteiro, e fui aprendiz de bruxos e sábios. Tenho até competência para fazer de um jumento um grande orador, capaz de rivalizar-se com o grande Cícero.

O fato é que o dito do embusteiro foi parar nos ouvidos do rei que, desprovido de sabedoria, tomou-o como verdade. Chamou o intrujão ao palácio e deu-lhe uma fabulosa soma para que transformasse seu alazão favorito num orador, num prazo de dez anos, conforme pedira o trapaceiro. Se não cumprisse com sua palavra seria enforcado à vista de todo o reino.

Na saída do palácio, um cortesão acercou-se do impostor, e disse-lhe que se metera numa terrível enrascada, que culminaria com seu enforcamento, pois seus dons não passavam de palavras ao léu. Ao que lhe respondeu o charlatão:

– Amigo, que não seja esta a sua preocupação, pois ao cabo de dez anos, um de nós três: o rei, ou eu, ou o cavalo, já terá morrido.

Reflexão
Quanto mais difíceis são os tempos, mais proliferam as espertezas. Sujeitos há que não gostam de trabalhar, preferindo ganhar dinheiro fácil. Prova disso são os golpes que proliferam pelo mundo, quer sejam através do telefone móvel ou fixo, internet e até mesmo por carta. Um exemplo de tais patifarias são os golpes aplicados por indianos em mulheres estrangeiras. Um sem conta de brasileiras, à cata de um “príncipe encantado”, acaba esbarrando num sapo, além de perder dinheiro e a compustura. Eles usam de todo tipo de lábia para convencê-las. Após ganharem o que bem querem (dinheiro, joias, celulares, etc), escafedem-se os “príncipes”.

Não resta dúvida de que qualquer pessoa, por mais esperta que se julgue, pode cair num golpe, pois esses estão cada vez mais bem trabalhados, contudo, alguns são primários, depondo contra a inteligência da vítima. Como apaixonar-se por quem não se conhece, ficando noiva via internet, enviando dinheiro para comprar enxoval e passagem, por exemplo? Haja carência afetiva, para cair tão facilmente na mão de espertalhões, ainda que das estranjas.

O vilão da fábula foi muito astuto em seus planos, pois somente loucos fazem negócios, pagando no ato, para receber dez anos depois. Muita água rolaria nesse entremeio. Se o rei não optou por trabalhar com as possibilidades, o problema foi dele, já que o ladino sabia muito bem o que estava fazendo.

2 comentários sobre “Fábula – O CHARLATÃO E O REI

    1. LuDiasBH Autor do post

      Mário

      Espero que o “nós” refira-se apenas aos bons, e não a charlatões do tipo visto na fábula e a bobocas como o rei.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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