Fábula – O HOMEM E SEU JUMENTO

Recontada por LuDiasBH

Ohoseju

Seguia um homem pela estrada, tocando seu jumento, que gemia debaixo de uma pesada carga. Ao deparar-se com um campo relvoso, o sujeito ali resolveu descansar. Tirou a carga do animal, e foi comer, pois a barriga estava a varar-lhe as costelas. Mas eis que um barulho de trote interrompeu-o. Temeroso de que fosse um gatuno, pôs-se a gritar pelo jumento que, distraído, espojava-se no prado:

– Venha, meu amigo, fujamos enquanto é tempo, pois há muitos ladrões por estes lados.

– A carga do inimigo é mais pesada da que ora levo? – perguntou-lhe o jumento.

– Não! Ambas são da mesma monta. – respondeu-lhe o homem.

– Se são iguais, eu não corro perigo, pois quem tem a sina de carregar no lombo pesadas cargas, tem no seu dono o pior dos inimigos. – justificou o burro.

Reflexão
Embora todos os homens devam ser donos dos mesmos direitos ao nascer, uns poucos são privilegiados, exercendo o trabalho de apenas mandar, enquanto à grande maioria cabe apenas a função de e executar as tarefas. E dentre essa maioria estão aqueles que carregam cargas extenuantes (como os imigrantes ilegais), sem nenhuma compaixão por parte de seus patrões, cuja dureza de coração nega-lhes qualquer traço de humanidade.

Muitos dizem que é o capitalismo que gera o progresso, ao trazer empregos. De certo prisma, sim. Mas quem ergue o progresso são os operários. Se os patrões entram com o capital, os operários entram com a força do corpo. Enquanto os primeiros fazem uso de algo externo (o dinheiro), os segundos tiram da energia que carregam no próprio corpo, e que refletirá na própria saúde, em longo prazo. Logo, eles deveriam ter uma parte maior no lucro, o que lhes possibilitaria arcar, no futuro, com as doenças advindas da exposição ao debilitante trabalho. Mas o que vemos é o enriquecimento rápido dos patrões, enquanto seus operários ganham o mínimo necessário apenas para a sobrevivência.

O jumento da fábula está coberto de razão, ao deixar claro, que um mau patrão é o pior dos inimigos. Deixá-lo por outro não lhe faria diferença alguma. É por isso que há tanto rodízio no mundo do capitalismo. Os operários pulam de um trabalho a outro, em busca de quem possa aumentar suas migalhas.

Nota: imagem copiada de koktell.blogs.sapo.pt

 

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