Fábula – O HOMEM, O MENINO E O BURRO

Recontada por LuDiasBH

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Certo fazendeiro resolveu botar à venda seu burro. Chamou o filho para que juntos fossem ao mercado da cidade mais próxima. Para que o animal chegasse descansado, onde seria vendido, optaram por levá-lo com as patas amarradas, suspenso num cano de metal, seguro por pai e filho de cada lado. Na estrada, encontraram dois homens que, ao vê-los, puseram-se a rir e exclamaram:

– Quanta imbecilidade? Com certeza, o do meio é o menos burro do trio! Onde já se viu carregar um burro assim. Que mundo louco!

O fazendeiro achou que os homens tinham razão. Desatou o burro das cordas. Colocou-o de pé, e sobre seu lombo escanchou o filho. E assim continuaram a jornada, até que, passaram sobre uma ponte, onde se encontrava um grupo de lavadeiras, que se mostrou indignado. Uma delas gritou:

– Como este mundo é ingrato! O pobre velho vai a pé, puxando o burro, enquanto o filho, jovem e forte, vai montado, como se fosse um príncipe!

O fazendeiro chegou à conclusão de que a lavadeira estava corretíssima. Pediu ao rapazola que descesse do animal e montou-o. Mas não demorou muito para ouvir uma reprimenda de uma mulher que trazia o filho nos braços:

– Que mundo cruel! Um homem vigoroso vai montado no animal, enquanto uma criança segue a pé, a puxá-lo.

E mais uma vez o fazendeiro fez mudanças. Subiram ele e o filho nas costas do burro. Meio quilômetro depois, uma rapaziada que jogava bola num campinho à esquerda da estrada, gritou:

– Ei babacas, tenham pena do animal, que já está a botar a língua de fora. O coitado vai chegar quase morto ao mercado!

Pensando no dinheiro que deveria ganhar com a venda do burro, o fazendeiro desceu do animal e perdiu ao filho que fizesse o mesmo. Passou a puxá-lo pelo cabresto. Mas um grupo de moleques seguiu atrás gritando:

– Olhem a trempe de burros! Um trota e os outros dois caminham. Já que não querem montar no animal, pelo menos poderia deixar que ele os montasse.

Reflexão
O fazendeiro da fábula chegou a uma sábia conclusão: morre louco aquele que tenta satisfazer o mundo. Não resta dúvida de que o melhor caminho é seguir o bom senso, escudado no conhecimento e na reflexão. Deixar-se conduzir pela corrente de opiniões é um caminho tortuoso, que pode levar o insensato a quebrar a cara mais cedo do que imagina.

Pessoas há que servem de manobra de massa, pois não se preocupam com qualquer tipo de análise ou embasamento, e acabam dando com os burros n’ água. Não buscam se inteirar dos prós e contras para depois tomar uma atitude. Preguiçosas, optam sempre pelo caminho mais fácil, aquele que lhe é oferecido de bandeja, ainda que nefasto. Como papagaios, elas se limitam a repetir o que ouvem, pouco lhes importando se as fontes são confiáveis ou não. Depois choram o leite derramado.

O fazendeiro de nossa fábula era um homem simplório. Por isso, virou massa de manobra de todos os que encontrava pelo caminho. Era incapaz de pensar por si só, ou seja, refletir sobre a melhor maneira de conduzir seu burro ao mercado. E gente assim só aprende com amargas experiências, quando a medida tomada dói no próprio lombo. Muitas vezes é tarde demais!

Nota: imagem copiada de linguapretaorkut.blogspot.com

2 comentários sobre “Fábula – O HOMEM, O MENINO E O BURRO

    1. LuDiasBH Autor do post

      Mário

      Estou mesmo precisando de um rivotril, pois acabo de receber um abaixo-assinado sobre as mortes no Rio, em razão das Olímpiadas, feitas pela polícia, onde os negros são os mais visados. Mandei-lhe para ser assinado.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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