Fábula – O LEÃO APAIXONADO

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Recontada por LuDiasBH

oleapa

Andava certa vez um leão a dormir entre canteiros de flores, quando acordou com o barulho de suaves passos. Sua aguçada percepção acalmou-o, pois dali não vinha perigo algum. Apenas levantou a cabeça para apreciar tão aprazível presença. Mas isso foi o bastante para que caísse de amores pela meiga pastora, dela se apaixonando perdidamente. E como bom moço, ou melhor, bom leão, achou por bem conversar primeiro com seu genitor, para pedir a mão da filha em casamento. Não sei se por medo ou pela nobre ascendência do soberbo animal, o pai aceitou aquele pedido tão inusitado. Contudo, aconselhou o animal:

 – Meu nobre amigo, causa-me muita alegria tomá-lo por genro. Só temo que, ao abraçar minha filha, possa machucá-la, pois ela é extremamente delicada e frágil. Aconselho-o, portanto, a cerrar seus belos dentes e a cortar rente suas afiadas unhas, de modo que nenhum arranhão possa à minha filha causar, quando ela se encontrar em seus braços.

 Em conformidade com o pedido do pai da pastora agiu o leão. Mas assim que deixou aquela morada, uma matilha avançou impiedosamente sobre ele. Sem as garras e sem os dentes, tornou-se presa fácil. Se ele conseguiu fugir, não me disseram.

 Reflexão
Que sentimento avassalador é a paixão, a ponto de tirar o sujeito, loucamente devotado a alguém, de seu total equilíbrio. E não pense o leitor que tal comportamento diz respeito a determinadas raças ou condição social. Nada disso. Uma vez apaixonado, qualquer indivíduo, assim como o leão de nossa fábula, perde o juízo. Nada teme, nem mesmo chacota.  Navega por mares bravios, cujas correntes arrebatadoras podem jogá-lo num mato sem cachorro, pois o bom-senso deixa de ser o farol a guiar o navegante.

 O maior perigo nessa torrente avassaladora e mal controlada da paixão dá-se quando o objeto do encantamento não está nem aí, ou seja, não dá a mínima para o ser abrasado. Em vez de unir-se a ele, dele tira proveito. E quanto mais se vê ignorado, mais o impetuoso apaixonado faz loucuras. No frêmito da paixão, nem mesmo consegue enxergar um ínfimo fragmento da realidade. Sua única meta é possuir o objeto de sua férvida loucura. E que não lhe venha com conselhos e coisa e tal.

O mais interessante é quando a paixão se esvai, quando o juízo retoma o seu lugar, assim como o bom senso. Olha-se para o outrora “ser” do desejo esfomeado e não se vê mais nada. Tudo parece ter se evaporado. O fremente vê-se logrado, porque não é nada daquilo que fantasiou sua mente outrora atormentada. Acha que foi vítima de um castigo ou fiasco. Mas é assim mesmo! Ninguém está livre dessa doença conhecida por “apaixonite aguda”. E se você, meu caro leitor, dela ainda não foi vítima, não perde por esperar. Não há vacina contra esse mal que atormenta os pobres viventes.

2 comentários sobre “Fábula – O LEÃO APAIXONADO

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