Fábula – O LOBO, O RAPOSO E O MACACO

Recontada por LuDiasBH

macjui

O lobo e o raposo, durante muito tempo, foram íntimos amigos, até mesmo arvorando-se debaixo da mesma legenda, ou melhor, galho. Um era o escudo do outro, unha com carne, lé com cré.  E por uma dessas razões que a natureza sabe explicar muito bem e, que aqui chamamos de interesses políticos, viram-se os dois em uma azeda contenda, deixando toda a floresta em polvorosa. A quizila era tão vergonhosa, que foi necessário levá-la ao tribunal da floresta, presidido naquele dia pelo juiz togado, que não era outro senão o macaco, conhecedor de quaisquer artimanhas, pois delas se servia sempre que fosse necessário a seu cargo e ao bem-estar de seus pares. Ele mandava e desmandava, saindo todas as decisões em conformidade com seus desejos mais secretos.

 O Canis lúpus, que ocupava o posto mais avançado no senado da floresta, sendo muito prestigiado pela maioria de seus pares, não sei se por medo, ou por esses terem o rabo preso, levou a queixa ao macaco, imponentemente assentado em cima do próprio cabo. Alegou que o raposo, que por sua vez centralizava em si a presidência da câmara da floresta, era um bicho da pior espécie, o mais matreiro, finório e velhaco de todos que ali se encontravam, capaz de dar nó em pingo d`água e amarrar fumaça. Não vem ao caso nominar os palavrões e difamações que os dois trocaram entre si, sob o perigo de esta fábula transformar-se num processo de mil páginas, sendo as decisões postergadas para o terceiro milênio. E aí não há leitor que aguente.

 O juiz macaco, com seu rabo sempre bem escondido, não sei se por decoro ou pelas coisas ditas em toda a selva, matutou, cismou e banzou por alguns minutos. Ajeitou os óculos seguidas vezes, e com seu ar carrancudo e cara de poucos amigos, concluiu, para não parecer desleal aos dois amigos, que o melhor a fazer seria condená-los, pois inocentá-los pegaria muito mal, uma vez que andavam dizendo que ele era por demais parcial para o alto cargo que ocupava na corte da bicharada, sempre protegendo seus diletos e descendo o sarrafo nos seus desafetos. E, sabedor de que eles jamais se uniriam contra ele, tamanho era o ódio que se devotavam mutuamente, deu o veredito:

 – Conheço muito bem o comportamento de Vossas Excelências. Portanto, em vez de prendê-los, imponho-lhes uma pena ainda mais rígida. Ambos ficarão três meses longe do congresso e do senado da floresta, mas com direito a seus salários, ajuda de custo e moradia, jatinhos, carros e tudo que lhes é de direito. Aproveitem, peguem suas famílias e curtam umas férias nas florestas do Caribe e Austrália. Está encerrada a sessão!

 Reflexão
O leitor terá que encontrá-la nas entrelinhas. Mas lembre-se de trocar a bandeira presente na ilustração por outra bem mais conhecida.

 Nota: ilustração copiada de gracanopaisdasmaravilhas.blogspot.com

2 comentários sobre “Fábula – O LOBO, O RAPOSO E O MACACO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *