Fábula – O PALÁCIO DO REI LEÃO

Recontada por LuDiasBH

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O leão, como tinha um vasto reino, não conhecia todos os seus governadores, sem falar que poucos ficavam no cargo por muito tempo, tamanha era a impaciência de sua majestade em ser obedecido nos decretos que fazia divulgar em seus domínios. Certo dia, bicho algum sabe explicar bem o porquê, o rei resolveu convidar seus subordinados para um encontro no palácio real. Primeiro houve um fausto banquete e, a seguir, o convite para conhecerem o palácio.

Todos acompanhavam o monarca pelas dependências reais, quando o urso, não mais aguentando o cheiro de podridão que dali exalava, tapou o nariz, dizendo que o palácio era uma carniça só. O que foi suficiente para que o leão se sentisse ultrajado e  mandasse o matar. O macaco, bajulador, para agradar o rei, assim se expressou:

– Que absurdo, como o urso pode chamar de fedor este cheiro tão gostoso, mais parecido com o perfume de uma flor? Este palácio exala a essência de todos os perfumes do reino.

Tomando a fala do mico como ironia, o leão deu-lhe o mesmo fim que reservara ao urso. E, para testar seu poder, dirigiu-se à raposa que se encontrava calada:

– E tu? Quero que fales a verdade. O cheiro de meus aposentos agrada-te ou não?

– Majestade, perdoai-me, pois encontro-me tão constipada, que até perdi o meu faro. Portanto, não tenho como vos responder. Mas, assim que voltar ao meu normal, eu vos darei a minha mais sincera resposta. – concluiu a raposa.

Reflexão
Aquele, que lida com pessoas, que possuem o ego agigantado, deve ter muita cautela na hora de responder-lhes, principalmente se elas exercem algum domínio sobre sua vida, ou se delas depende o seu trabalho, pois, quanto maior é a prepotência, maior é a vingança. Tais tipos não aceitam ser contrariados, e acham que possuem a rédea do mundo nas próprias mãos.

Não é de bom alvitre, falar tudo o que  pensamos, quando isso não contribui em nada para mudar nossa vida para melhor, nem a daqueles que nos rodeiam. Certos indivíduos vangloriam-se de falar o que lhes vêm à mente, julgando-se sinceros. Tolos é o que são. O melhor mesmo é não gastar saliva com certos tipos despóticos, deixando que alguém mais autoritário possa desbancá-los, enquanto vivemos em paz.

Nesta fábula, a franqueza do urso foi por demais impetuosa e desnecessária. Não lhe teria  custado a vida, se mantivesse a boca fechada. Mas certos indivíduos querem ser mais reais do que o rei. Por sua vez, o excesso de adulação do macaco, foi responsável por lhe dar o mesmo fim do companheiro conversador, pois o rei leão poderia ser chegado a uma imundície, mas não era bobo. Bem fez a comedida raposa, que usou apenas a habilidade para salvar a própria pele. Que sigamos o seu exemplo em certos momentos de nossa vida.

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