Fábula – O PÁSSARO FLECHADO

Recontada por LuDiasBH

fopafle

Navegava uma bela ave pelos ares, quando uma flecha emplumada acertou-lhe em cheio uma das asas. E do alto despencou-se a coitada, caindo no solo com um grande impacto. Antes de o último suspiro exalar, ela contemplou a flecha com uma pena azulada na ponta e ao homem jogou uma praga:

– Miseráveis! De nós vós tirais as penas, para fazer-nos tombar com vossas armas vis, sendo que, a contragosto, contribuímos com a nossa própria morte. Mas isso terá seu preço, humanos covardes e vis. Vós jamais tereis paz, pois a metade de vós, estará todo o tempo brigando com a outra metade.

Reflexão
A maldição da ave de nossa fábula tem sido mais do que concreta. A humanidade vem digladiando entre si desde priscas eras. Não há um só período de sua história em que o sangue humano abundantemente não tenha sido derramado. Quando tudo parece haver se acomodado, os humanos matam uns aos outros, por ninharias invocadas. Na Terra briga-se por qualquer coisa e mata-se por coisa nenhuma. Por mais que se clame pela paz, ela sempre alça os ares, pois tudo por aqui tem cheiro de violência e maldade.

O esconjuro da ave tombada também pode estar relacionado ao homem como ser, numa luta infinda entre as suas duas metades: bem e mal. Ele jamais tem sossego, pois duela o tempo todo na tentativa de equilibrar-se, ao menos, entre a sua brutal dualidade. Apanha, vinga, cai, levanta, bate, promete,  repete, até que um dia se esvai… E somente aí é que terá paz.

A ave simboliza os pequenos, os mais frágeis, sempre feridos no embate com os poderosos. Dizem que a força é do povo, mas não disseram isso para ele, pois o povo ainda não sabe. É da gente humilde que se tira as migalhas de direitos para redistribuir com os mais fortes. Resta ao povo esconjurar, como fez a ave, para que os vis jamais conheçam a paz.

2 comentários sobre “Fábula – O PÁSSARO FLECHADO

  1. Rui

    Lu

    Por vezes dou comigo a perguntar aos meus botões, por que os humanos são assim mal formados e, no entanto, se dizem doutores. Como acontece com a ave, por vezes nós damos as armas a estas pessoas e eles nos sufocam. Para que tanta maldade, por isso os pequenos têm que esconjurar. Gostei muito da fábula, o povo, como a ave, é ferido. Será que não há vergonha na cara dos poderosos?

    Abraços

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Rui

      Muitos humanos são doutores do embuste, da mentira e da velhacaria. É isso que aprendem com o intuito de passar os humildes para trás. Não respeitam nem o mestre (Jesus) que dizem seguir. Quando se trata de políticos, a arma que damos a eles é o voto. Por isso, temos que saber quem é o sujeito (ou sujeita), antes de votar nele, para que depois não nos pise. A fábula é muito linda, mesmo!

      Abraços,

      Lu

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