Fábula – O PASTOR E O MAR

Recontada por LuDiasBH

opaeoma

Certo pastor vivia tranquilo com seu rebanho. No alto da colina descansava, olhando o mar, enquanto suas ovelhas pastavam. Diante de seus olhos passavam navios carregados de grandes tesouros vindos das mais diferentes partes do mundo. Subitamente nasceu-lhe uma vontade estranha de vender seu rebanho e partir em busca de riquezas. E assim o fez. Mas na volta, com o navio abarrotado de caras especiarias, uma borrasca engoliu tudo que comprara, ficando ele a ver navios. Só que dessa vez sem a companhia de seu rebanho.

 Trabalhando aqui e acolá, o pastor empregava todo o dinheiro que ganhava na compra de uma ovelha. Anos depois, já era dono de um grande rebanho. E, quando se assentava no topo da colina, divisando o mar, murmurava:

 – Não mais me iludes, ó poderoso companheiro. Se tu queres riqueza, toma a dos outros, pois no que é meu jamais porás tuas mãos azuis.

 Reflexão
É fato que os sonhos são uma vital válvula do progresso humano. Deles nasceram muitas invenções de suma importância para a humanidade. Mas é preciso sonhar sem deixar de lado os freios da razão, pois muitos deles não resistem de pé frente à mais suave das brisas. Toda ideia deve ser iluminada pelo bom senso, para depois entrar em execução.

Não são poucas as pessoas que perderam tudo, levadas por sonhos descabidos, “sem pé e nem cabeça”, como diziam os antigos em sua sabedoria empírica. Quando a ambição é o farol do desejo, o sonhador encontra-se a meio caminho do naufrágio. Não se pode abrir mão daquilo que se tem de concreto para aventurar-se. É fato que um ou outro pode se dar bem por algum tempo, mas a imensa maioria fracassa diante de sua avidez.

 Não há quem não conheça alguém que meteu os pés pelas mãos, na ânsia de dar-se bem. Alguns nem mesmo têm escrúpulos de passar outros para trás, apossando daquilo que não lhes pertence. Enriquecem a si e aos seus. Mas a vida cobra, mais cedo ou mais tarde, pela ambição desenfreada. Basta olhar para os fatos que ora ocorrem com certos políticos para validar tal afirmação. A desonra não vale o desfrute da riqueza afanada.

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