Fábula – O PAVÃO E O ROUXINOL

Recontada por LuDiasBH

o paeor

Um formoso pavão, possivelmente o mais belo já visto, ao ouvir o canto mavioso do rouxinol sentiu-se indignado. Não se conformava em carregar tanta beleza no corpo, mas não possuir um canto tão belo como aquele. Achando que era muita humilhação para sua bela figura, foi reclamar com Juno (esposa de Júpiter). A deusa, estupefata com sua queixa, respondeu-lhe no ato:

– Deixa de ser tão petulante e guiado pela inveja, senhor pavão. Não te basta carregar no corpo as mais belas penas, onde o arco-íris faz-se presente, sendo admirado por todos que te veem? Saibas que a mãe natureza sempre foi muito douta, distribuindo dons a todos os animais, indiferentemente do tamanho. Portanto, mesquinho, invejoso e mal-agradecido ser, afasta-te daqui, antes que eu te tire toda a tua exuberante plumagem.

Reflexão
Existem pessoas que, como o pavão de nossa fábula, nunca se encontram satisfeitas com coisa alguma. Trazem dentro de si uma inveja tão profunda, a ponto de torná-las eternamente insatisfeitas e infelizes. Por mais que tenham sempre almejam mais, ainda que prejudiquem terceiros. O mundo que existe é o que diz respeito a si e aos seus entes mais próximos. O outro é invisível, não lhes importa.

É mais do que justo que os invejosos, indiferentes e avaros sofram, assim como padecem aqueles que se encontram na outra ponta da corda – os desprovidos de bens que os impede de levar uma vida de cidadãos. Os primeiros, ainda que supostamente opulentos, são na verdade uma radiografia viva da miséria do espírito, pois nada lhes apazigua a sede de poder e pecúnia. Sentem-se sempre miseráveis. Portanto, carregam o peso da degradação moral e ética, que é muito mais pungente do que a miséria daqueles realmente desprovidos de bens materiais para existirem como indivíduos.

Dizem alguns que a inveja é a mãe de todos os males. É fato que o é verdadeiramente. Contudo, a conscientização de que se deve ter o mínimo para viver com dignidade não é inveja, mas o expressar da consciência racional. É a ação em detrimento da omissão. E se esse direito não é dado a todo homem, ele tem mais do que o dever de lutar por ele.

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