Fábula – O RATO E A RÃ MAL-INTENCIONADA

Recontada por LuDiasBH

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Certa rã tinha um extremado gosto por carne de rato, prato esse que lhe era muito difícil de conseguir, pois o roedor não era páreo para suas minguadas forças.  E foi por isso que, certo dia, ao se encontrar com um rato rechonchudo e luzidio no seu brejo, ela tratou logo de com ele entabular conversa, a fim de ganhá-lo no papo:

 – Meu amigo, que bom encontrá-lo por aqui, pois estou com um grande queijo lá em minha casa, que irá acabar perdendo. Convido-o para um gostoso café.

 Guloso como sempre, o rato não pensou duas vezes para aceitar o convite. Mas antes de pular na água do brejo, lembrou-se de que não sabia nadar. Mas isso não era problema, pois a rã, em sua malandragem, arranjou um jeito de salvar a situação, para ela, é claro. Ataria a pata do rato à sua, e desse jeito ele não se afogaria. E assim foi feito. Mas, enquanto ela puxava o infeliz para o fundo da lagoa, e ele se debatia aflito para não se afundar, um gavião surgiu, arrebatou o rato e, como recompensa, também levou a rã pelos ares. Para esse dia, que beleza, teria almoço e jantar.

 Reflexão
Diz um velho ditado que, quando a esperteza é muito grande, ela acaba por comer o próprio dono, ou seja, aquele que a executou a velhacaria. A vida está sempre a dar rasteiras naquele que se julga espertalhão, fazendo com que ele, muitas vezes, seja o enganado. Outro ditado também lembra que o feitiço acaba sempre voltando para o feiticeiro. E se alguém é mais afeito à ciência, basta lembrar a lei de causa e efeito. Está aí a política brasileira e a Justiça que não me deixam mentir.

Também não podemos deixar de condenar a atitude do rato, pois se deixou levar pela gula. Em vez da razão, deixou que o estômago tomasse a frente e por ele decidisse. Estava tão ávido por um naco de queijo que confiou sua vida a uma estranha. E mais, mesmo não sabendo nadar, não mediu as consequências de ver-se atado a uma exímia nadadora, que poderia levá-lo às profundezas do pântano. Nem se deu conta de que não era um anfíbio e, portanto, teria dificuldades para respirar. E quem não reflete está sempre caindo na esparrela.

Os impostores multiplicam-se a cada dia por onde quer que se olhe, o que torna verossímel o fato de que o homem é único animal capaz de planejar o logro. Está sempre cheio de embustes e artimanhas para levar vantagem em tudo, mesmo à custa do sofrimento dos mais fracos, mesmo que se digam “servos do Senhor”. Em assim sendo, no trato com o bicho-homem todo cuidado é pouco. É preciso estar muito atento para não levar a pior.

2 comentários sobre “Fábula – O RATO E A RÃ MAL-INTENCIONADA

  1. Rui

    Lu

    Isto é comer do próprio veneno, o tolo até se esqueceu que não sabia nadar. Assim como os excelentíssimos, estão comendo do seu próprio ser, pois o Altíssimo já não os ouve, temos pena. Como você diz Lu, eles se multiplicam, até crescem além-mar. Olho para o lado e me deparo com as ditas rãs, sempre cheias de astúcia. Os tolos acabam por se esquecer que não sabem nadar. O bicho-homem,já me dizia o mestre”Jesus”, deve estar atento, se não o bicho ferra,ou melhor, o mesquinho pica.

    Um abraço

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Rui

      Como a rã da fábula, os maiorais estão sempre querendo passar os pequenos para trás. Mas um dia a casa cai, pois não há mal que sempre dure. Todos nós sempre acabamos pagando por nossos atos, ainda que a Justiça humana falhe, como sempre.

      Abraços,

      Lu

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