Fábula – O ROMANO E A ESTÁTUA DE JÚPITER

Recontada por LuDiasBH

roesdeju

Vivendo no Império Romano, certo homem devotava aos deuses do Olimpo a maior reverência. E se era para agradá-los, escolheu logo o mais poderoso, Júpiter, como seu protetor. Em razão disso isso, comprou das mãos de um mercenário uma estátua de mármore daquele que também era conhecido por Zeus. Por ela pagou um alto preço, mas pelas benesses que viriam, valera a pena – pensou ele.

Para uma melhor compreensão dos fatos é bom que se diga que o indivíduo em questão não era muito chegado ao trabalho. Esperava receber, por intermédio de Júpiter, bem-estar, vida mansa, fortuna e proteção. E para agradar seu benfeitor, polia e azeitava sua estátua, dia sim e o outro também, cobrindo-a depois com as mais belas grinaldas que do campo extraia, no intuito de ser recompensado. Mas nada de mudar sua sorte.

Intrigado com tanta indiferença, o homem perdeu a resignação e, armado de uma marreta, despedaçou o corpo de Zeus. Mas que surpresa estupenda! Dentro da estátua havia um sem conta de joias da mais fina ourivesaria. O interesseiro logo agradeceu ao deus:

 – Venerável Júpiter, enquanto vos tratei com fidalguia, virastes-me as costas, ofertando-me uma vida de privações. E quando vos tratei mal, recompensastes-me com este valioso tesouro. Vá lá entender os deuses e seus desígnios!

Reflexão
O preguiçoso romano de nossa fábula jogava nos deuses a incumbência de alimentá-lo, enriquecê-lo e protegê-lo. Esperto, tomou Júpiter, o deus dos deuses, como seu protetor. Ele não difere de muitas pessoas que ficam olhando a vida passar, esperando que tudo lhe caia dos céus, sem que dispenda uma gota de suor. E isso quando não se dependura nas costas de outrem, como uma indesejável sanguessuga.

O homem não pode mirar no exemplo das aves do céu “que não semeiam, não colhem, nem armazenam em celeiros”. Ele necessita de ofertar parte de seu tempo ao trabalho, e dele tirar a sua subsistência honestamente e a dos que dele dependem. Nada melhor do que ver o fruto do próprio labor, que ajuda quem o fez, assim como outros que dele irão se beneficiar.

O fato de o romano ter encontrado uma fortuna dentro da estátua não passa de uma mera coincidência. Poderia ter passado a vida toda sem dela tomar conhecimento. Portanto, nenhum homem deve colocar a manutenção de sua existência nas mãos de outrem ou usufruindo das benesses alheias, a menos que seja doente. O propósito de cada um, ou os seus desígnios, deve ser buscado com afinco e honradez. Todo o resto virá em consequência da lei da ação e reação que rege todo este maravilhoso Universo.

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