Fábula – O URSO E OS DOIS LADINOS

Recontada por LuDiasBH

Ourdola

Dois irmãos foram a um vizinho vender a pele de um urso. Disseram-lhe que se tratava do mais belo espécime, tanto em tamanho quanto em peso e, que sua pele lustrosa daria para servir de cobertor para duas ou mais pessoas. E mais, se a comprasse, poderia vendê-la pelo triplo no mercado da cidade. Pensando em levar vantagem, o vizinho prontamente aceitou o negócio, pagando na hora, antes que outro comprasse material tão bom. Só que ele não sabia que a pele ainda estava por ser tirada pelos tais vendedores.

Rumaram os dois espertalhões para a mata, em busca do animal. Eis que, repentinamente, surge diante deles a fera procurada. Um deles conseguiu subir numa árvore, enquanto ao outro só restou a saída de deitar-se no chão, fingindo-se de morto. O urso, para certificar-se de que o homem já era defunto, cheirou-lhe a boca e o nariz, revirou-lhe o corpo de um lado para o outro e, antes de retirar-se, deu uma boa fungada no seu ouvido.

Sem mais delongas, os dois espertalhões puseram-se a caminho de casa. Mas o que subira na árvore quis saber o que o urso dissera no ouvido do que se fingira de morto. E esse, ainda bastante amedrontado, e com as calças molhadas, respondeu-lhe:

– Ele me disse que é sem prudência e sentido receber pelo que ainda não temos nas mãos. E que vamos nos dar muito mal, se já tivermos gastado o dinheiro.

Reflexão
Um provérbio, muito conhecido dos antigos, diz que não se deve contar com o ovo que ainda não passou pelo fiofó da galinha. Grande verdade! Contudo, há pessoas que compram ilusões e, somente depois da derrocada é que se dão conta de quão tolas foram. O bom é sempre manter os pés no chão, não se deixando levar por vantagens desproporcionais ao nosso merecimento. Quem procura  levar vantagem, acaba sempre se dando mal.

Nenhum outro universo é mais temeroso do que o da política, em que os oferecimentos vêm sempre acompanhados de segundas intenções, num “toma lá e dê cá” sem limites. Para se projetar ou usufruir de cargos bem remunerados, os interesseiros vendem (e roubam) até a mãe. Esse esdrúxulo mundo é capitaneado por interesses inconfessáveis, pois são por demais vergonhosos. Raríssimas exceções fogem à regra neste mundo de lama fétida.

Os dois velhacos da fábula não esperavam contar com dificuldades para obter a pele do urso. Venderam-na sem tê-la em mãos. Um segundo espertalhão comprou-a, imaginando estar fazendo um bom negócio, contudo, o urso deu um rolé em todos eles. Bem diz um sábio ditado que a esperteza quando é demais come o dono. E como come!

2 comentários sobre “Fábula – O URSO E OS DOIS LADINOS

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