Fábula – O VELHO PAI E O FEIXE DE VARAS

Recontada por LuDiasBH

vepafeva

Vendo a morte a cada dia mais próxima, um camponês chamou os três filhos aos pés de sua cama. Indicou-lhes, sobre um velho armário, um feixe de varas. Tomou-o nas mãos e repassou ao mais velho para que o quebrasse ao meio. Mas ele não teve força suficiente para fazê-lo. O mesmo aconteceu com segundo filho e o mais novo. O camponês pediu o feixe de volta, e disse aos filhos:

 – Agora vou lhes ensinar como quebrá-lo.

 O velho pai foi retirando vara por vara e partindo-as ao meio. Ao final, disse-lhes:

 – O meu tempo neste planeta está findando. Não mais me terão para protegê-los. Se continuarem unidos como o feixe, serão capazes de resistirem a tudo. Portanto, vivam sempre em harmonia.

 Reflexão
O feixe de varas, simbolicamente, deveria representar o povo. Não me refiro às elites, pois essas sempre têm as benesses e as leis a seu favor. Ainda que se use o termo “povo” para a população de um país, eu excluo as classes privilegiadas, pois fazem parte de uma categoria especial, à qual nada de ruim parece atingir.  Quando uma lei diz respeito a seus interesses e lucros, elas se unem de modo tal, que nenhum naco de seus bens seja tirado. Elas formam o feixe de varas que ninguém consegue quebrar. É o que se chama de “classe dominante”.

 O povo, pobre povo, sempre a carregar o fardo do serviço brutal da nação, e a levar o ônus da diminuição do ganho, em benefício do crescimento dos grandes. É deles que se cortam as chamadas “gorduras”, que dizem necessárias à “economia” do país. E nem mesmo é chamado a opinar sobre os direitos que lhes é tirado. Eles, os maiorais, não têm satisfações a dar à base da pirâmide que sustenta a economia do país, mas que dela não usufrui.

 O conjunto de pessoas pertencentes às classes menos favorecidas é que forma o povo, o povão, povaréu ou povoléu. Usando um termo mais realista, embora cruel – a ralé. E assim será, enquanto o povão for usado como varas individuais do feixe. Mas quando essa “gentalha” resolver formar um único feixe, cingido pela união de forças, as periferias e os morros farão tremer as alas nobres das cidades de nosso país. Espero viver o bastante para ver isso acontecer, pois não aguento mais ver a “ralé” levar tanta lambada.

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