Fábula – OS TRÊS DESEJOS DO REI

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Recontada por LuDiasBH

Conta-se que um grande monarca do reino grego da Macedônia, herói de muitas conquistas militares, que conquistou um dos maiores impérios do mundo antigo, pressentindo que seu tempo na Terra findava, pediu a presença de seus generais e de seu escriba junto a seu leito. A eles fez três pedidos: 1- Os mais renomados médicos de seu reino deveriam levar seu ataúde até o túmulo. 2- Todos os seus tesouros em prata, ouro e pedras preciosas deveriam ser jogados pelo caminho até o local onde seria depositado seu corpo. 3- Suas duas mãos deveriam ficar do lado de fora do esquife, balançando, para que todos os seus súditos vissem-nas.

Um dos generais convocados, intrigado com a excentricidade dos desejos de seu rei, pediu-lhe que expusesse o porquê de tais exigências. O monarca, com sua voz cansada, pacientemente explicou a seu comandado que: 1- Os médicos a levarem seu caixão mostrariam ao povo que nenhuma Ciência é capaz de deter a morte. 2- Os tesouros espalhados pelo chão tinham por objetivo ensinar a sua gente que todos os bens materiais adquiridos na Terra, nela permanecerão. 3- As suas mãos a balançarem fora de seu caixão fariam as pessoas compreenderem que vazias elas chegaram ao mundo e vazias elas retornam.

Reflexão
Não sei se verdadeira ou não, esta história é atribuída a Alexandre, o Grande. Eu a transformei numa fábula, pois ela nos ensina uma grande lição diante da estúpida e voraz cobiça humana, que entra século e sai século continua a mesma. Será que o homem não aprenderá nunca que sua vida neste planeta é fugaz e, que ele daqui nada leva, partindo sempre com as mãos vazias? E que o acúmulo exorbitante de bens perderá a batalha contra a inevitável morte, ainda que possa pagar os mais renomados médicos e hospitais? E que seus bens, muitos deles afanados dos desvalidos, ficarão sobre a Terra para causar usura nos seus descendentes, dando continuidade ao mesmo círculo vicioso e temerário? O acúmulo excessivo de bens não passa de uma grande estupidez humana, que macula  sua finita passagem pelo planeta Terra, pois ao pó todos voltarão.

10 comentários sobre “Fábula – OS TRÊS DESEJOS DO REI

  1. Leila

    Lu

    Como nós humanos somos seres estúpidos, ainda não aprendemos que toda matéria assim como a nossa matéria são totalmente descartáveis.

    Abraços,

    Leila

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Leila

      Somos realmente estúpidos no que se refere à finitude da vida. Já li que existem mulheres que alugam bolsas de marca, por um preço astronômico, para usar no final de semana. Quanta estupidez!

      Beijos,

      Lu

      Responder
  2. Maria Claudia

    Oi, Lu!

    Conheço essa fábula! E acho que se encaixa perfeitamente nos dias atuais, onde a grande maioria acha que nunca tem o bastante, ou que precisa sempre se atualizar com as coisas novas que surgem, afogando-se em informações muitas vezes dispensáveis, esquecendo que estamos aqui de passagem, e que a morte é a única certeza que temos na vida. E que não levamos absolutamente nada… Vive-se com pressa, estresse, correria, e não se aproveita os pequenos momentos de felicidade. O que podemos fazer é espalhar sementinhas como esta fábula, para que cada vez mais pessoas tomem consciência do que realmente importa nessa vida.

    Beijo grande

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Maria Cláudia

      Eu sou uma apaixonada por fábulas, existem centenas delas no nosso site. Acho fantástico o modo como elas ensinam, sem contudo puxar-nos a orelha. É como se dissessem: “Eu os alertei, o resto é com vocês, pois cada um responde por sua própria vida.”. E como você diz “Vive-se com pressa, estresse, correria, e não se aproveita os pequenos momentos de felicidade.”. É realmente isso. Estamos nos esquecendo de vivenciar os pequenos momentos prazerosos, presentes no nosso dia a dia. E como a felicidade é feita de pequenos momentos, corremos o risco, nessa correria enlouquecida, de jamais encontrá-la.

      Beijos,

      Lu

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  3. Celina Telma Hohmann

    Que lindo,Lu(zinha)!

    Fábulas! Tantas verdades nelas e por vezes nos esquecemos da importância dessas belas brincadeiras entre as letras e as linhas e os personagens que têm nomes, ou não têm, mas que falam de uma forma diferente. Desnecessário falar sobre a origem da história. Já o fizeram com propriedade. O bom é tentar tirar o melhor do que se leu e tudo o que escreveu prende a atenção.

    Por quanto tempo uma pessoa carregará consigo a ideia de que quanto mais adquirir e maior posto alcançar a fará imortal e superior? Independente dos ladrões hoje expostos, que valendo-se de postos tidos como de alto escalão, usurparam e o farão se oportunidade tiverem (e sempre têm), sabemos, enquanto humanos, que poder ter o que há de melhor e somar riquezas não nos torna imortais. Esta supremacia pressuposta pelo dinheiro não leva à nada, apenas e tão somente, traz o brilho que alguns, não tendo, tanto desejam. É como se o “ter” fosse muito mais importante que o “ser”. Para tanto, não há temores que impeça, inteligência que valha ou dignidade que não se abra mão. O dinheiro! O tinir das moedas e suas possibilidades tapam os olhos do humano comum.

    Os 3 tópicos citados são verdades incontestáveis e pena, alguns não pensam nisso, e à custa de macular o lado sagrado que cada um tem – nascemos imaculados, somos filhos de um Poder Maior – ainda assim, a ganância transforma o homem que quer ser transformado. Alguns poucos não se corrompem nem se iludem com as riquezas mundanas, mas que as tais são um bom chamariz ao mau caráter, ah, são! À medida que crescemos, valores vão sendo infiltrados em nossas vidas e, se temos uma boa índole e discernimento para entender o que é tão óbvio, aprendemos a respeitar a vida e seu curso. Dela, nada levamos, exceto o que nossa alma acalentou, enquanto passou por esse estágio de nascer, viver e ao final, morrer.

    Uma reflexão necessária é dar-se o tempo de parar e perceber que tudo o que há na terra é fugaz. Sábio Alexandre! E bom tê-lo usado como referência para escrever algo que nos alerta para essa rápida e por vezes tola preocupação em ter, mesmo quando de forma honesta. O que é ter? Possuir? São sinônimos, mas garantem-nos o quê? Tenho filhos, mas não sou dona(o) deles.Tenho dinheiro mas ele não me livrará da morte tão certa quanto o dia vem após a noite num ciclo perfeito… O homem é assim: junta sem perceber que tal sacrifício – e é sacrifício – ao final é inútil. Não o fez melhor, mas mais visado. Não lhe deu os melhores amigos, os mais puros amores, a mais singela sensação de felicidade. Não lhe deu, em verdade, nada!

    E nem vou dizer que amei ler seu doce semear de alertas. E para provar que ter é tão pouco, não precisei de dinheiro para momentos tão gostosos! Bastou-me o tempo que ainda tenho; olhos que ainda são meus faróis e perfeitos como, quando os recebi lá no passado, numa viagem maravilhosa e que à luz da ciência têm uma condução ritmada. Que o Criador tenha clemência com os obstinados pelo “ter”, pois eu, amiga, estou é farta de tamanhas loucuras que empobrecem um país, seus habitantes e nos dão aquela sensação amarga de que no mundo ainda existam bestas revestidas da segurança de que tendo, são.

    Grande abraço, menina, que descobriu sem que fosse cobrada, que melhor que ter é doar! Doa-nos sempre com o carinho dos textos profundos, por vezes brincalhões, mas sempre tão maravilhosos.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Miss Celi

      O que dizer depois de seu comentário tão profundo, que destrincha ponto por ponto da nossa fábula? Espero que todos os que lerem o texto, também o leiam, pois trata-se de um complemento de grande sabedoria. E usando suas palavras: “Que o Criador tenha clemência com os obstinados pelo “ter”…”.

      Beijos,

      Lu

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  4. Rodolpho Caniato

    Lu

    É difícil, senão impossível, dizer quanto dessa história tem de verdadeiro. No entanto, suas reflexões são mesmo de grande sabedoria de VIDA. É verdade histórica que Alexandre tenha mesmo dito e agido em muitas ocasiões com grande sabedoria, além do valor como militar. A História consagra-o como Alexandre Magno, entre tantas conquistas, fundador de Alexandria onde se ergueu a grande Biblioteca de Alexandria, que se tornaria famosa como guardiã e depositária de toda cultura clássica, em todos os ramos do conhecimento e por muitos séculos. A história de Alexandre nos leva a acreditar em EDUCAÇÃO, pois ele foi educado por, nada menos que ARISTÓTELES, seu conterrâneo, macedônio também, e um dos maiores gênios de todos os tempos.
    Alexandria, a cidade de Alexandre, se tornaria também famosa pelo primeiro grande Farol a orientar os navegadores no Mediterrâneo.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Professor

      Muito obrigada pela sua participação e por essa aula maravilhosa sobre Alexandre, o Grande.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  5. Luiz Cruz

    Lu,
    A adaptação da Fábula é oportuna para o momento da história contemporânea do Brasil. Para que acumular tantos milhões e milhões usurpados dos cofres públicos. Qual seria o objetivo de acumular tanta riqueza (indevida). A história atribuída a Alexandre é perfeita. Realmente, partirmos dessa vida exatamente como chegamos, com as mão vazias.

    Obrigado por compartilhar conosco.
    Um forte abraço,

    Luiz Cruz

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Luiz

      Esta fábula toca fundo no retrato de nossos tempos, neste país chamado Brasil. É alarmante o que se tem feito no mundo dos “graúdos” pelo dinheiro e poder. Sinto uma profunda pena dessa gente e de suas famílias, pois no fundo não passam de pessoas miseráveis e vis.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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