Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (II)

Recontadas por LuDiasBH

gatinrin

  1. O Homem e o Cão Raivoso

Certo homem foi mordido por um cão raivento. Da possante dentada, que feriu sua perna, escorria um sangue rubro e grosso. A vítima tirou da sacola um pedaço de pão, molhou-o no sangue, e atirou-o ao animal que o abocanhou com prazer. Alguém que por ali passava, alertou-o para o perigo que correra, podendo ser comido vivo, se ali estivem mais cães.

Moral da história:
O agrado feito aos malvados é um incentivo a seus iguais para a prática do mal.

  1. O Pedinte Malcriado

Vinha um homem humilde pela estrada, quando se encontrou com um pedinte, que lhe lançou uma pedra. Ainda assim, o bom homem deu-lhe uma moeda. E disse-lhe, porém, que estava a vir pela estrada um homem muito rico e poderoso e, se nele também atirasse uma pedra, ganharia uma boa soma ainda maior. A audácia do mendigo resultou numa boa sova, o que lhe serviu de lição.

Moral da história:
O sucesso, obtido com um, pode ser a perdição com outro, portanto é preciso vigiar para que o hábito do caximbo não deixe a boca torta.

  1. A Mosca e a Mula

Em razão do peso excessivo, certa mula puxava lentamente uma carroça . Uma mosca, que pousou no seu carro, depois de proferir mil maldições, ameaçou picar o pescoço daquela que se encontrava na labuta, caso não andasse mais rapidamente. A mula respondeu-lhe que ela não a amendrontava e, que dali se arredasse, carregando sua fútil arrogância.

Moral da história:
Quem fala o que quer, também deve estar preparado para ouvir o que não quer.

  1.  O Sábio e Suas Riquezas

Certo sábio nada tinha de bens material, mas tão somente aquilo que carregava: conhecimento. Viajando pelos confis da Ásia, ali se enriqueceu com os cânticos que compunha. Quando voltava para sua pátria, uma forte tempestade fez o navio naufragar. Os viajantes tentavam levar suas riquezas, menos ele, que se pôs ao mar, dizendo que tudo que possuía já estava consigo. Alguns morreram atracados a seus bens, outros foram roubados por ladrões e passaram a mendigar. Mas o erudito foi acolhido por um literato, que lhe deu roupa, dinheiro e criadagem, merecidas honrarias por seus sábios ensinamentos.

Moral da história:
O saber é a maior das riquezas, pois, além de não ser roubada, nenhuma outra a ela se iguala.

  1. A Montanha e o Rato

Certa montanha rugia assustadoramente havia três dias. Seus estampidos eram ouvidos a quilômetros de distância, amedrontando todos os moradores em torno. Esperava-se o pior. Três cientistas foram despachados para o local, para buscarem as causas de tal alarde. Os homens rodearam-na, sem que nada encontrasse até que de um pequeno buraco surgiu um rato. Daí em diante a montanha acalmou-se e adormeceu.

Moral da história:
Alguns fazem muito estardalhaço por uma coisinha à toa, melhor seria que se calassem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *