Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (IV)

Recontadas por LuDiasBH

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  1. A Capivara e a Raposa

Houve um tempo em que a cauda das raposas crescia muito, caso lhe fosse tirado um pedaço. Como as unhas, ela era reposta pela natureza. E foi por isso que uma capivara resolveu pedir humildemente à primeira, um pedacinho de seu rabi para tapar sua traseira, por motivos de pudor. A raposa respondeu-lhe que preferia ver sua cauda dar incontáveis voltas em torno da floresta do que dela tirar uma mínima parte. Na manhã seguinte, ela amanheceu sem metade dela, abocanhada por um cachorro-do-mato.

Moral da história:
O avarento não abre mão nem mesmo do muito que lhe sobra, ainda que o excesso traga-lhe perigo de vida.

  1. O Homem e o Deus Júpiter

O deus dos deuses chamou todos os outros para uma assembleia. Trazia na mente o desejo de presentear o homem com a força do elefante, o salto do leão, a imponência do touro, a docilidade do cavalo e a longevidade da tartaruga. Os outros deuses, no entanto, declinaram da oferenda, pois mesmo sem gozar de tais predicados, o homem já era o animal mais arrogante, ambicioso e maquiavélico da Terra. Haveria de exterminar todas as outras espécies.

Moral da história:
Aos insensatos só se deve dar o estritamente necessário para sua sobrevivência, a fim de que não aumente sua vil prepotência sobre os pequenos.

  1. A Verdade, o Engano e a Mentira

Prometeu, herói da mitologia grega, modulou em argila a Verdade para dá-la ao Homem. Tendo que sair, deixou-a sob a guarda do Engano, seu aprendiz, que pegou do que sobrara da argila e fez uma cópia semelhante, faltando-lhe, porém, os pés, pois o material havia acabado. As duas estátuas foram cozidas no forno, sendo-lhes acrescida a alma. A Verdade era lenta e prudente em seus atos, enquanto o Engano mal se mantinha de pé, mas fazendo o que bem entendia. Em razão de suas ações impensadas e enganosas, a segunda passou a ser chamada de Mentira. E é por isso que ainda hoje dizem que ela possui pernas curtas.

Moral da história:
As aparências enganam apenas no começo, mas não tarda para que a mentira tome a sua verdadeira forma, e apronte suas malvadezas.

  1. O Escritor Vaidoso e o Sábio

Certo escritor foi em busca de um sábio, para quem leu seus péssimos escritos. Neles, tecia mil loas a si mesmo, numa vaidade sem limites. Ao terminar a leitura, exultante, pediu o parecer do velho sábio, que lhe disse sem rodeios: “A mim não importa nem um pouco os louvores que teces a ti, já que a eles nenhuma pessoa iria dar ouvidos.”.

Moral da história:
O vaidoso não possui autocrítica, pois seu ego inflado foge ao bom senso, e exige admiração constante, para que o seu dono possa existir.

  1. O Bezerro Novo e o Boi Velho

Um camponês colocou na mesma parelha um boi e um bezerro. O desajuste dos tamanhos causava incômodo ao pescoço do boi, que atribuia isso às suas forças enfraquecidas. Mas o camponês alertou-o de que sua presença ali não dizia respeito ao trabalho, mas tinha objetivo de domar o caráter furioso do bezerro que, com o coice e o chifre, maltratava seus iguais.

Moral da história:
É de pequenino que se torce o pepino, pois os pais que não dobram o caráter violento dos filhos, poderão se preparar para os dissabores que virão.

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