Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (XII)

Recontadas por LuDiasBH

cabrind

  1. O Pastor e as Cabras Selvagens

Numa tarde tempestuosa, um pastor observou que às suas cabras haviam juntado cabras selvagens. Não podendo separá-las por causa do difícil tempo, levou todas para seu abrigo, onde as alimentou por dois dias, em razão do tempo chuvoso. Às suas dava pouco alimento, enquanto fartava as visitantes, com a finalidade de apascentarem-nas e agregarem-nas a seu rebanho. Mas quando levou de novo as cabras a pastarem, as selvagens deram no pé, deixando o pastor revoltado, chamando-as de ingratas, pois foram tratadas melhor do que as suas. Um delas, de longe, respondeu-lhe que foi exatamente isso que as amedrontou, pois ele havia tratado melhor às hóspedes do que as que com ele viviam, e não tardaria em fazer o mesmo com elas, assim que outras aparecessem.

Moral da história
Cuidado com quem trata bem os amigos novos em detrimento dos antigos, pois os  amigos novos de hoje serão os velhos de amanhã, e receberão o mesmo tratamento.

  1. A Perdiz e os Dois Galos Brigões

Certo homem tinha em seu galinheiro dois vistosos galos. Como ganhasse uma perdiz, colocou-a junto às outras aves. Mas os galos implicaram de imediato com a humilde avezinha, que levava bicada por qualquer coisa. A perdiz justificava o preconceito dos valentões por ser ela de outra espécie, até que os viu digladiarem-se, a ponto de ficarem banhados em sangue. E ela chegou à conclusão de que, se eles não se respeitavam, jamais iriam poupar uma ave estranha.

Moral da história
Se os iguais não se respeitam, é balela imaginar que eles possam ter consideração pelos diferentes.

  1. Os Pescadores e a Rede Cheia

Uma alegria incontida tomou conta de um grupo de pescadores ao retirar uma rede pesada das águas do mar. Imaginavam eles que a rede estava farta de peixes. Mas a alegria durou pouco, pois ao chegarem à praia, viram que apenas alguns peixinhos debatiam entre seixos, pedaços de madeira e areia. Apenas o mais velho dos homens anuiu que sempre haverá momentos bons e outros ruins para todos os homens.

Moral da história
Na inconstância da existência humana é preciso estar preparado para as alegrias e tristezas, que estão sempre a trocar de lugar ao longo da vida.

  1. O Pescador e os Peixes

Certo pescador era um exímio flautista. Toda a natureza parava para ouvi-lo. E foi por isso que pensou em pegar seus peixes, usando apenas sua música. Tocou a manhã inteira nas margens de um rio, esperando que os peixes pulasse para dentro de seu balaio. O que não aconteceu. Tomou então da tarrafa, jogou-a na água, e puxou-a cheia de peixes, que se debatiam na areia, em busca de ar. Raivoso, o homem acusou os pequenos seres de não dançarem, enquanto ele tocava sua flauta, mas somente depois que ele parou, ignorando sua encantadora música.

Moral da história
O vaidoso é um ignorante das coisas do mundo, pois só enxerga o próprio umbigo, achando que tudo deve funcionar a seu bel-prazer.

  1. Os Peixes Grandes e os Pequenos

Numa assembléia no fundo do mar, os peixes grandes vangloriavam-se do poder que detinham sobre os pequenos, que só tinha a função de servir-lhes de alimento, portanto, não teriam direito a voto para qualquer tipo de deliberação. Enquanto discursavam, uma imensa rede de pesca cobriu-os com fúria. Os pequenos, mais leves e mais rápidos, conseguiram fugir através de suas malhas. O que não aconteceu aos grande.

Moral da história
Os humildes, habituados às durezas da vida, escapam com mais facilidade dos entreveros do que os grandes, acostumados às benesses.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *