Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (XIII)

Recontadas por LuDiasBH

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  1. A Avezinha e o Mar

 Certa avezinha já estava cansada de ver os homens destruírem seu ninho só por maldade, usando seus ovos como tiro ao alvo. E foi por isso que buscou os rochedos que ladeavam o mar, que impediam que seres humanos ali tivessem acesso. Mas num dia de tempestade, enquanto se abrigava um pouco distante dali, esperando a borrasca amainar-se, uma gigantesca onda engoliu seu ninho, tragando seus filhotes. E a avezinha lamentou por ter fugido das armadilhas humanas e ter sido ferida por aquele que a protegia – o mar.

Moral da história
Os que consideramos amigos, muitas vezes podem ser mais impiedosos do que os inimigos, pois contra estes nunca nos colocamos em guarda.

  1. As Raposas e a Correnteza

Um grupo de raposas, depois de uma longa caminhada, chegou à margem de um rio para tomar água. Mas a correnteza bravia amedrontava os canídeos, que não ousavam entrar na água. Uma das tais, imbuída de certa arrogância, criticou as companheiras pelo medo, e entrou imponente na água, sendo levada para longe pela correnteza. As outras, pensando que ela o fazia por querer, pediram-lhe que voltasse para mostrar como entrariam na água sem perigo. E de longe ela gritou, dizendo que voltaria para ensinar-lhes a passagem.

Moral da história
Alguns há que, por vaidade, colocam-se em perigo, mas ainda assim, para não darem o braço a torcer, põem em risco a própria vida.

  1. A Raposa e o Excesso de Comida

Uma raposa acabara de fartar-se com sua refeição, quando viu uma cesta de alimentos numa árvore, ali colocada por pastores. Escondida no oco da árvore, passou a comer tudo com avidez, antes que os donos chegassem. Mas na hora de sair do local, o volume excessivo da barriga impedia sua saída. Uma de suas companheiras, que pelo local passava, ouvindo seus queixumes, tentou ajudá-la, mas em vão. Acabou por aconselhá-la a aguardar ali, até que seu corpo voltasse a ser como antes de entrar no oco, quando facilmente deixaria o local.

Moral da história
Quando não há saída visível, só resta à vítima aguardar o tempo, o senhor da razão.

  1. A Raposa e o Precipício

Ia a raposa cantando pelo caminho, quando escorregou na beira de um abismo. Ainda teve tempo de agarrar-se à sarça que crescia na ribanceira, mas que deixou suas patas ensanguentadas. Depois de encontrar-se a salvo, pôs-se a vítima a rogar praga na sarça, pelo fato de tê-la ferido, quando lhe pedira ajuda. A planta, porém, respondeu-lhe que ela buscara socorro no lugar errado, pois a ela cabia o costume de agarrar quem dela se aproximava.

Moral da história
É vão o ato de buscar ajuda entre aqueles que já têm o costume de perpetrar o mal.

  1. A Raposa e o Urso

Uma raposa, ao ver um grande urso marrom dormitando debaixo de uma frondosa árvore, parou para admirar o seu prodigioso tamanho. Olhava para o corpo dele e para o seu, comparando-os.  E quanto mais os examinava, mais desejava ser grande e forte. Assim, deitou-se ao lado do portentoso animal e pôs-se a distender seus músculos que, diante de tanto estiramento, romperam-se. O urso acordou de seu profundo sono e papou a raposa, que não mais podia correr.

 Moral da história
Os invejosos acabam atingindo a si próprios, sem jamais alcançar o objetivo de sua inveja.

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