Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (XIV)

Recontadas por LuDiasBH

macacrind

  1. A Raposa e o Cão

Certa raposa vinha há muitos dias planejando comer um cordeiro de um determinado rebanho. Pensara em mil astúcias, mas nenhuma mostrava-se a contento. Então resolveu mostrar que era amiga do rebanho. Indroziu-se nele e passou a afagar os cordeiros. Quando o cão pastoreador pegou-a com um filhote de ovelha no colo, afagando-o, a espertalhona explicou-se dizendo que adorava acarinhar os cordeirinhos. O cão, formado em tretas e manhas, disse-lhe que, se não se afastasse logo dali, iria receber suas carícias. E ela deu no pé!

 Moral da história
Não se pode esperar bondade dos espertalhões, pois só agem em benefício próprio.

  1. O Macaco, a Raposa e o Poder

Os animais reuniram-se em assembleia para escolher um governante. O macaco já adentrou na clareira fazendo mil estripulias e soltando ditos sarcásticos, que levaram todos os presentes ao riso. E assim acabou sendo o mais votado. Mas uma raposa, insatisfeita com a falta de critério de seus companheiros na escolha do novo chefe, chamou o macaco para pegar um presente que ela havia guardado para ele. Afoito, o animal pulou no local indicado, ficando preso numa armadilha. A raposa então lhe disse que, inconsequente e irresponsável como ele era, jamais poderia assumir um cargo de tamanha responsabilidade.

Moral da história
Os ingênuos e tolos, que se lançam em empreendimentos para os quais não possuem um mínimo de preparo, estarão fadados ao insucesso e ao escárnio.

  1. O Macaco, a Raposa e a Nobreza

Encontrando-se o macaco e a raposa numa estrada, puseram-se os dois a caminhar e a discutir sobre a nobreza de suas respectivas famílias. Mais à frente, ao aproximarem-se de um cemitério, o macaco pôs-se a chorar. Ao querer saber a razão daquele pranto, a raposa ouviu do símio que ali se encontravam os túmulos dos inúmeros libertos e escravos de seus pais.

Moral da história
Os arrogantes e mentirosos proclamam seus feitos e boas qualidades sempre que não há testemunhas para contestá-los, ou se encontram rodeados por seus asseclas.

  1. Os Dois Homens e os Deuses

 Encontraram-se dois homens na porta de um templo clássico, logo ao amanhecer, e puseram-se a medir a importância do deus ao qual cada um se devotava. Um dizia que Hermes era mais esperto e mais rápido. O outro contrapunha, dizendo que era Hefasto, o construtor de todas as obras do Olimpo. E assim continuaram nessa pendenga até o entardecer. Enraivecidos com as baboseiras dos discordantes, os deuses lançaram sobre eles seus raios, calando-os para sempre.

Moral da história
A briga dos pequenos na defesa dos grandes, na maioria das vezes, só traz aborrecimentos e desdém.

  1. O Assassino em Fuga

Um homem, após matar um jovem inocente, saiu em fuga, perseguido pela família do morto. Corria pela estrada, quando se deparou com um enorme urso. Subiu numa árvore e ali estava uma cobra venenosa. Pulou no rio e foi devorado por um crocodilo.

Moral da história
Todos os caminhos fecham-se para o ser humano de coração vil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *