Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (XVII)

Recontadas por LuDiasBH

gatrind11. O Leão e os Bois

Três bezerros, nascidos na mesma época, tornaram-se muito amigos. E assim cresceram até se transformarem em bois. Onde um estava lá também se encontravam os outros dois. Se um deles achava uma tenra moita de capim, dividia-a irmãmente. E assim transcorria a vida dos três bovídeos. Mas um leão mirava-os há muito tempo, tendo chegado à conclusão de que, para devorá-los, teria primeiro que desuni-los, passando-se por amigo e depois urdindo a discórdia. E assim aconteceu. Apos se tornarem inimigos, o felídeo comeu um por um dos ruminantes.

Moral da História
Há pessoas que relegam os velhos amigos para fiarem-se em falsos laços de amizades, que vêm sempre amarrados a um balaio de más intenções.

  1. O Vaqueiro e Júpiter

Pôs-se um vaqueiro a descansar, enquanto seus bezerros pastavam. Na hora de levá-los para o curral, notou que um deles faltava ao lote. Prometeu então ao deus Júpiter que se o levasse até o ladravaz, ele lhe ofertaria um carneiro. E foi assim que, alguns metros adiante, em meio a um matagal, encontrou um possante leão, que saboreava avidamente sua presa. Como medo de que seu cheiro pudesse denunciá-lo, o vaqueiro  rogou ao deus, dizendo-lhe que se o retirasse são e salvo dali, dar-lhe-ia um touro em sacrifício.

Moral da História
Muita gente insensata roga aos céus por coisas das quais desconhece o real perigo.

    1. O Morcego e o Sabiá

Um morcego, cuja vida era noturna, não se cansava de ouvir a voz de um canário preso em uma gaiola. Intrigado, perguntou-lhe o motivo de só cantar à noite. O sabiá respondeu-lhe que fora preso, enquanto cantava numa certa manhã e, por isso, passou a gorjear somente após o entardecer . O quiróptero esclareceu-o de que tal comportamento era vão, já que se encontrava preso.

Moral da História
O cuidado deve vir antes da desdita, uma vez que depois toda a cautela torna-se inútil.

  1. O Feirante e a Morte

Certo homem, mal clareava o dia, partia para a cidade a fim de vender as verduras que levava num grande balaio de vime, na cabeça. Numa dessas manhãs, fatigado e sonolento, depositou o balaio no chão e pôs-se a clamar pela morte, que não demorou a aparecer. Indagado sobre seu desejo, o feirante disse-lhe que queria apenas que ela o ajudasse a botar o balaio na cabeça.

Moral da História
Ainda que sua vida seja uma cansativa faina, o homem dispensa o descanso da morte.

  1. O Homem e a Águia

Um homem de bom coração, ao ver uma águia presa numa armadilha, tratou imediatamente de libertá-la. E aproveitou o instante para descansar-se na base de um velho muro, tapando o sol com um lenço jogado sobre a cabeça. A mesma águia veio, pegou o lenço e saiu voando baixo com o homem atrás dela. Mais adiante deixou-o cair. Descontente com tamanha ingratidão, o homem voltou para sentar-se no mesmo lugar, mas ficou estarrecido ao ver que o muro caíra para frente, justamente no lugar onde ele se encontrava.

Moral da História
O bem que se faz pode retornar de muitas maneiras diferentes.

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