Hunt – O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

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Autoria de LuDiasBH

O pintor inglês William Holman Hunt (1827 – 1910) foi um dos fundadores da Irmandade Pré-Rafaelita – grupo formado por inúmeros artistas ingleses com a finalidade – segundo os seus seguidores – de desafiar o vazio em que se encontrava a pintura e de valorizar as obras de Rafael Sanzio, tendo Hunt permanecido fiel às suas ideias por toda a vida. O artista e seu grupo acreditavam piamente nas virtudes do mundo medieval, não aceitando as mudanças advindas da industrialização. Ele foi um pintor de cenas religiosas, cuja precisão de detalhes locais seguia a cartilha dos pré-rafaelitas.

A composição intitulada O Despertar da Consciência é uma obra do artista que exemplifica a popularidade deste tipo de quadro na Inglaterra vitoriana. Trata-se de uma pintura de gênero (uma cena de interior doméstico) que tem como tema uma mulher desonrada, ou seja, mostra a visão inglesa moralista e reprovadora da época. Inúmeros detalhes compõem a simbologia da obra.  Os temas moralizantes e piegas, pintados detalhadamente em quadros, tornaram-se também populares na Europa, onde havia muitos admiradores e colecionadores.

Destrinchando a simbologia da obra:

O relógio à esquerda, sobre um piano de madeira talhada, está envolto pela figura da Castidade que prende o Cupido – deus do amor – indicando que o cavalheiro presente não concretizará seu desejo. Por trás do relógio vê-se um quadro na parede que relata a história bíblica da adúltera. E à esquerda está um vaso com flores de ipomeia (planta trepadeira das regiões quentes) que, pelo fato de misturar-se a outras plantas, diz respeito às relações complexas da mulher. Aos pés do piano e no meio do tapete estão meadas de lã, misturadas, que reforçam a mesma simbologia.

A mulher traz seis anéis nos dedos, excetuando aquele onde deveria estar um anel de casamento, o que mostra que é dependente do homem (seu amante) ali presente. Ela usa roupas de baixo, sendo a bainha de renda parte de sua anágua. O modo como a jovem encontra-se no colo do homem indica que ela se prepara para levantar-se, como se tivesse tomado consciência de que o que faz é errado. Seus grandes olhos estão direcionados para cima. A luva suja jogada no chão, à sua frente, simboliza o seu futuro, caso não mude sua vida.

O homem festivo, esparramado na cadeira, traz uma mão nas teclas do piano e outra no colo da moça, enquanto canta, sem notar que uma nova atitude brota no rosto de sua amante. Vê-se pela sua vestimenta que ele é um jovem rico em visita à sua amásia na casa mantida por ele, como mostra o seu chapéu sobre a mesa, ao lado de um livro encadernado. No chão, sobre um pano azul, está uma partitura enrolada. Refere-se a “Lágrimas, Inúteis Lágrimas”, adaptação de Edward Lear (pintor e escritor inglês) para um poema de Alfred Tennyson (poeta inglês) com a mesma temática da pintura. Bem próximas à partitura estão as iniciais do pintor e a data de feitura da obra.

Um gato sob a mesa – logo atrás da cadeira do cavalheiro vitoriano – brinca com um pássaro. É possível que o gato represente o homem e a ave a mulher. Ele é o caçador e ela a presa. A fuga da ave, já de costas para o gato que olha para cima, pode sugerir que a vida da jovem ainda pode ser mudada. A presença de um raio de luz sobre o pé do piano também simboliza vida nova para a mulher, assim como o seu olhar direcionado para fora da janela, em direção ao jardim que se reflete no espelho às suas costas. A luz simboliza Cristo como a “Luz do Mundo” (título de outra pintura que fazia par com esta). As rosas brancas no jardim representam a pureza.

Obs.: A modelo da pintura é Annie Miller, namorada do pintor à época. Uma terceira pessoa encontra-se no ambiente – possivelmente a criada.

Ficha técnica
Ano: 1853
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 76 x 56 cm
Localização: Tate Gallery, Londres, Grá-Bretanha

Fonte de pesquisa
A arte em detalhes/ Robert Cumming

2 pensou em “Hunt – O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

  1. Adevaldo Rodrigues

    Muito bonita esta pintura do Hunt, Pré-Rafaelita. Considero Rafael Sanzio junto com Botticelli os pintores mais completos, principalmente na beleza dos detalhes e na utilização do espaço e combinação de cores. Botticelli é meu preferido e sua obra “O Nascimento de Vênus” destaca entre todas suas belas obras, claro, na minha humilde visão.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Adevaldo

      Rafael Sanzio e Botticelli são realmente dois pintores maravilhosos, imortalizados pela beleza de suas obras.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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