ÍNDIA – HIJRAS: HOMENS OU MULHERES?

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

bichind

Embora saibamos muito pouco sobre os hijras aqui no Ocidente, a definição encontrada é de que não são homens e nem mulheres, mas, sim, um terceiro sexo. Dentre os vários  rituais pelos quais passam está a castração. Muitos hijras só se consideram “verdadeiros” após tal cerimônia, que é um ritual proibido e protegido pelo grupo por um complexo código de silêncio. Portanto, para se tornar um hijra é preciso remover o pênis e os testículos, para que se pareça o máximo possível com uma mulher, mas sem a reconstrução da vagina, como acontece com os transexuais.

Os hijras existem na Índia há séculos e podem ser considerados tanto indivíduos pertencentes a uma casta quanto a um culto. Bahuchara é a deusa venerada por eles. Alguns deles são homens impotentes que, para fugirem da vergonha social por não procriarem, função exigida pela sociedade hindu, oferecem sua genitália a essa deusa. No hinduísmo existem deuses hermafroditas e até mesmo aqueles deuses que exigem dos seus seguidores a prática de um comportamento sexualmente controvertido, como a deusa Bahuchara Mata, que exige de seus sequazes (todos homens) o uso de roupas femininas, a castração e o celibato.

Os hijras moram em comunidades pequenas, principalmente no norte do país. Andam em pequenos grupos chefiados normalmente pelo mais velho. Usam vestimentas femininas e maquiagem excessiva, assim como nomes femininos. Eles são tidos como transgêneros e interssexuais. Do ponto de vista da medicina ocidental, eles são considerados transexuais masculinos. Nutrem desejo sexual por homens e não por mulheres. E são, ao mesmo tempo, temidos e cortejados com a sua presença em casamentos e nascimentos, aonde chegam sem precisar ser convidados, pois tanto podem levar bênçãos como azar, segundo a crença, dependendo do modo como sentem que foram recebidos.

Os hijras chegam às festas, onde ficam pouco tempo, sempre acompanhados de muita música.  Dançam e abençoam as pessoas presentes no local. Em troca, exigem um pagamento em prendas ou dinheiro. Segundo a superstição hindu, a praga de um hijra é muito potente e pode trazer infelicidade por muitos anos. Por isso, atitudes agressivas contra os castrados são consideradas de mau augúrio pela maioria dos indianos que, supersticiosa, acredita piamente que a desvirilização traz grandes poderes e que, quem atrapalhar o ritual dos protegidos da deusa Bahuchara será vitimado pelo azar. E ainda, se os pais do recém-nascido ou dos recém-casados não pagarem as bênçãos dos hijras, pragas cairão sobre os bebês ou casal. Atualmente, eles passaram a dançar em festas escolares e despedidas de solteiro.

Se voltarmos a um tempo não muito distante, encontraremos os eunucos, castrados ainda na infância e elevados à categoria de responsáveis pelos haréns. Eram escolhidos para tal tarefa, porque, imaginavam os príncipes e sultões, jamais poderiam seduzir uma de suas escolhidas.

Segundo estudos, nem sempre a cultura indiana foi discriminatória em relação às diferenças sexuais. A própria mitologia desse país está cheia de lendas sobre mudança de sexo:

  • deusas que se transformavam em homens;
  • deuses que se transformavam em mulheres;
  • deuses com atributos, ao mesmo tempo, femininos e masculinos, como a andrógina Shiva.

Os indianos, contudo, não possuem a mesma aceitação para com os homossexuais e lésbicas. A impotência masculina, analisada sob o prisma da procriação, é mais vergonhosa para os hindus de que a homossexualidade. Tanto é que muitos pais, ao perceberem traços de feminilidade nos filhos, ou alguma anomalia genital, entregam-nos para as casas de hirjas, onde crescerão e aprenderão a ser um deles, destino que acreditam estar reservado pelo karma aos efeminados.

Um dos mais importantes testes para a adesão à comunidade hijra no século passado era a prova de impotência. Os hijras em potencial eram postos para dormir ao lado de uma prostituta por um determinado número de dias, para que fossem estudadas as suas reações.

Os hijras casam-se com homens preferencialmente e referem-se a eles como seus maridos. A prostituição dos transgêneros existe há muito tempo, mas não como atualmente. Antes, eles vendiam o sexo nos templos, com finalidade religiosa. Hoje, são incentivados por seus gurus hijras a se prostituírem, em função do dinheiro.

O mais importante evento do calendário dos hijras é o Festival do Koovakan, em que exercem livremente seu poder de expressão. O Koovakan reúne diferentes tipos de pessoas: hijras, homossexuais, bissexuais, heterossexuais, travestis, casais com seus filhos, solteiros, namorados, etc.

Apesar de toda a diversidade de pensamentos vistos no hinduísmo, o discurso e a prática no país ainda são bastante contraditórios, com muitos resquícios da ocupação britânica. Mesmo assim, a religião hinduísta é uma das mais condescendentes com o público LGBL.

Nota: Imagem copiada http://jessicademoniaca.blogspot.com.br

6 comentários sobre “ÍNDIA – HIJRAS: HOMENS OU MULHERES?

    1. LuDiasBH Autor do post

      David
      Os Hijras são “trans” masculinos, como escrevi no texto:

      “Portanto, para se tornar um hijra é preciso remover o pênis e os testículos, para que se pareça o máximo possível com uma mulher, mas sem a reconstrução da vagina, como é feita pelos transexuais.”

      Abraços,

      Lu

      Responder
      1. Marcelo

        Acho um tanto questionável, classificarmos os chamados hijras como transexuais. Ao nos aprofundarmos na tradição dessas pessoas, perceberemos que elas se assemelham mais aos antigos eunucos, que a um transexual de fato. Temos a impressão que se trata de algo obsoleto e sem função que persiste em existir. E para isso, adquire uma nova ressignificação.

        Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Marcelo

          A cultura indiana é muito complexa, sendo em muitos pontos diferentes da nossa. Os chamados hijras ocupam uma posição de destaque na Índia, em muitos pontos bem diferentes dos eunucos responsáveis por servir nos palácios. Achei a sua colocação muito interessante.

          Agradeço a sua visita e comentário. Volte mais vezes.

          Abraços,

          Lu

  1. Pingback: Giovanna

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *