ÍNDIA – MAHATMA GANDHI E A NÃO VIOLÊNCIA

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Autoria de LuDiasBH

ghandi

O mundo em cada século produz um grupo de pessoas notáveis, capazes de abrir mão de seus interesses particulares, para lutar em prol da humanidade. Muitos ousam dizer que tais pessoas têm uma ligação direta com o divino. São indivíduos dotados de muita espiritualidade, sabedoria, tolerância e generosidade no trato com as coisas do mundo. Essas pessoas, corajosas e fascinantes, ajudaram a mudar o curso da História da Humanidade, deixando-nos uma fonte inesgotável de exemplos.

Mohandas Gandhi, que depois recebeu o nome de Mahatma (grande alma) Gandhi, nasceu em 1869 e foi assassinado em 1948. Gandhi foi um dos inesquecíveis seres humanos a fazer parte do século XX. À sua grande espiritualidade ainda agregava o talento político, usados com sabedoria para libertar seu povo do jugo britânico. Era um indiano altamente preocupado com a vida do povo de seu país. Na sua juventude, recebeu influência dos amigos muçulmanos e dos parentes hindus.

Gandhi era hinduísta, mas fortemente influenciado pelo Janaísmo, religião indiana que prega o respeito pela vida, seja lá qual for ela, de modo que não se pode machucar nenhum ser vivo. E, tomando por base a sua crença, acabou ensinando ao mundo o princípio da “não violência”, na luta contra as injustiças sociais. Era contrário à omissão, assim como era contrário a qualquer forma de violência.

Gandhi estudou direito na Inglaterra, voltou à Índia, onde ficou cerca de 3 anos, partindo para a África do Sul, onde exerceu a profissão de advogado. Naquele país, tanto ele como seus conterrâneos eram vistos como pessoas inferiores. E tais insultos despertaram nele sua consciência social. Não satisfeito com o tratamento recebido, decidiu que lutaria para que o seu povo tivesse um tratamento justo. Foi quando formulou o conceito de satyagraha que significa “alcançando ou segurando a verdade”. Nem que para isso tivesse que sucumbir à morte, essa seria a sua luta.

Doze anos depois, Gandhi voltou para a Índia, disposto a lutar por seu país, que além de estar dependente da Grã-Bretanha, ainda se encontrava divido pelo sistema injusto de castas. E, para enfrentar o jugo inglês, Gandhi trocou terno e gravata pelas roupas simples dos “dalits” (intocáveis), a classe social mais desprezada e injustiçada de seu país. Começou adotando uma garota “dalit”, que o acompanhava por vários lugares. Usava os jejuns como forma de protesto contra a permanência do governo britânico em seu país.

Embora pertencente à casta dos vaishyas (comerciantes), Gandhi defendia a moderação das divergências entre as castas (dignidade para todos) e o fim do confronto entre muçulmanos e hindus. Após receber o nome de Mahatma Gandhi, transformou-se num grande líder espiritual de um movimento que atraiu milhões de participantes, lutando pela independência de seu país. A sua luta baseava-se nos princípios da “não violência” e da “não cooperação” dos indianos com os governantes ingleses. Por isso, foi inúmeras vezes preso.

Outro problema que o preocupava era a animosidade existente entre os hindus e muçulmanos na Índia, que já vinha acontecendo desde o século XI, já havendo causado dezenas de milhares de mortos. Fez muitas tentativas de unir essas duas correntes religiosas, pois sabia que o país precisava estar coeso após a sua independência.

Em 1947, a revolução pacífica de Gandhi alcançou seu objetivo: os britânicos foram embora, deixando seu país independente. Mas o objetivo de ver seu país unido não foi alcançado.  O país foi dividido em dois. A região predominantemente hindu continuou sendo a Índia e aquela, onde a predominância era muçulmana, tornou-se o Paquistão, enquanto o ódio entre esses dois grupos tornava-se cada vez mais feroz. Tanto é que em 30/janeiro/1948, o grande líder foi assassinado por um fanático hindu, que havia colocado na cabeça que a simpatia de Gandhi era dirigida à causa muçulmana.

Ainda hoje é complicada a relação entre hindus e muçulmanos, quer pelo nascimento do Paquistão, quer pelo problema com a Caxemira (pertence à Índia, mas sua maioria é muçulmana). E nessa divisão muitos templos hindus foram derrubados e nos locais construídas mesquitas (templos mulçumanos), deixando muito ódio acumulado.

Gandhi foi um pacifista convicto, que sempre pregou uma doutrina de “não violência”. Seu desejo era que a paz reinasse entre hindus e muçulmanos, entre indianos e ingleses e entre toda a humanidade.

Alguns dos pensamentos de Gandhi

  • Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros.
  • É o sofrimento e só o sofrimento que abre no homem a compreensão interior.
  • Quem busca a verdade, quem obedece a lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã.
  • O desejo sincero e profundo do coração é sempre realizado; em minha própria vida tenho sempre verificado a certeza disto.
  • Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio.
  • A não violência nunca deve ser usada como um escudo para a covardia. É uma arma para os bravos.
  • A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.
  • O capital em si não é mau; mas o mau uso dele transforma-o num mal.
  • A satisfação está no esforço feito para alcançar o objetivo, e não em tê-lo alcançado.
  • Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.
  • A mulher deve ser meiga, companheira do marido, tanto na alegria como na tristeza. O homem deve ser amigo da mulher e, no seu amor, deve respeitar sua alma e seu corpo como sagrados que são.
  • Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas; não há o suficiente para a cobiça humana.
  • Orar não é pedir. Orar é a respiração da alma. Como o corpo que se lava não fica sujo, sem oração se torna impuro.
  • A cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.
  • O que sobra no prato de poucos, falta no prato de muitos.

Nota: Imagem copiada de http://www.memmento.com/Memorial-at-Memmento

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