LAGARTO – O CARREGADOR DE BEBUNS

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Autoria de LuDiasBH

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Existem muitos casos acontecidos no interior de Minas, entretanto este é no mínimo inusitado. Peço ao leitor, ou leitora, que dele tome conhecimento com muita sisudez e não ouse ler em voz alta, onde se encontrem damas que se envermelham com facilidade.

Contou-me o meu bom amigo Adevaldo Rodrigues, que em uma pequena cidade próxima a Juiz de Fora, que ora prefiro omitir o nome, o prefeito estava muito preocupado com o número de pessoas que bebiam e dormiam no relento. Sem saber o que fazer com o número de reclamações recebidas, resolveu fazer uma pesquisa entre os moradores para definir a melhor alternativa para acabar com o problema. Como melhor solução foi proposto o recolhimento e encaminhamento dos bebuns para suas respectivas residências.

O prefeito, ciente de seus deveres de chefe, comprou um carrinho de mão e escolheu entre os funcionários da prefeitura aquele que melhor se adequasse à nova função, ou seja, fazer o transporte dos não tão respeitosos cidadãos, que abriam suas torneiras nas calçadas, ruas e jardins, sem o menor pudor. A pessoa escolhida foi um homem parrudo, cujos músculos fortes pareciam saltar do corpo. Pelo seu porte físico, logo recebeu o apelido de Lagarto. Em pouco tempo era a pessoa mais conhecida do município, tamanha era a aceitação popular que detinha.

A alegria era geral entre os bebuns da cidade, não mais deixados ao relento, embora nas rodinhas de amigos houvesse observações maliciosas sobre o fato. Como fiofó de bêbado não tem dono, começaram os mexinflórios, como gosta de escrever certa amiga.  Comentavam, inclusive, que Lagarto era avantajado em todos os quesitos, sendo que, muitas vezes, fazia caridade a seus clientes. Muitos até elogiavam seus feitos, dizendo se tratar de um trabalho social de altíssimo nível.

Caros leitores, perspicazes que são, tenho a certeza de que já leram nas entrelinhas deste texto e descobriram qual era o brinde dado por Lagarto a seus clientes, normalmente num beco escuro da cidade, bem longe dos olhares dos cidadãos e das cidadãs, uma vez que butico de bêbado não goza de respeito, ficando à deriva da sorte. É fato que, no outro dia, o agraciado amanhecia com uma dor de cabeça do cão e com um desassossego danado no oritimbó, mas nada que merecesse alguma reclamação junto às autoridades constituídas. Alguns até se transformaram em bebedores diários, tamanha era a confiança de serem carregados por Lagarto.

Quando a verdade sobre o talento do recolhedor de bêbedos tornou-se pública, a fama de Lagarto foi além das fronteiras do município, passando depois as do estado de Minas Gerais e quiçá as do Brasil. O certo é que houve partidos políticos que queriam lançá-lo candidato a deputado estadual, na esperança de angariar votos para a legenda. Não apenas isso, pois fotógrafos especializados faziam fila à porta de sua casa, pedindo-lhe que pousasse para essa ou aquela revista em troca de substanciosos contratos. E um famoso diretor de filmes não bem vistos, queria que ele fosse o ator principal de sua película. Mas nada disso o seduzia.

Um meu colega de trabalho, entusiasmado com a fama de Lagarto, tentou levá-lo ao Programa do Ratinho, mas desistiu, pois a cidade não tinha infraestrutura para receber os curiosos e novos fregueses, uma vez que os hotéis encontravam-se com lotação esgotada e o consumo de bebidas aumentou bastante na cidade. Era só alguém beber e dormir na rua, e lá estava o profissional fiel ao seu ofício. Até a alimentação de Lagarto foi alterada com um suplemento vitamínico, pois ele não estava aguentando o rojão. Haja pau para tanta fogueira!

Conta-se que houve um famoso político mineiro que hospedou em um dos hotéis da cidade e pediu ao gerente para articular um encontro particular com Lagarto, com o propósito de conhecer suas virtudes. Quando o virtuoso lá chegou, pediu ao político para beber uma garrafa de uísque, pois suas habilidades só funcionavam com bebum, mas isto é outra história.

Nota: Imagem copiada de www.cinemenu.com.br

8 comentários sobre “LAGARTO – O CARREGADOR DE BEBUNS

    1. Adevaldo Rodrigues de Souza

      Perry,
      Você é quem mais conhece o Lagarto. Só não pode dormir no carro. Favor oferecê-lo lá pelas bandas do poder.
      Obrigado pelo acesso. No blog Vírus da Arte existem matérias interessantíssimas, é só procurar o assunto de seu interesse. Peço recomendá-lo para seus amigos

      Abraço,
      Adevaldo

      Responder
    1. Adevaldo

      Ana Lúcia,

      Existem pessoas que não tem medo. Pode ficar tranquila porque o Lagarto têm suas preferências. Obrigado pelo acesso.

      Abraço,

      Adevaldo

      Responder
  1. Adevaldo

    Beto,

    Obrigado. Não sei se ficou claro, o Lagarto surpreendia os clientes novatos, entretanto cobrava pelos serviços extras ao jeito dele. Conta-se que ele só atendia bebuns.

    Abraço,

    Adevaldo

    Responder
  2. Adevaldo

    Lu,

    Obrigado pelo incentivo. Fiquei sabendo que o Lagarto foi requisitado para trabalhar em um órgão público na capital mineira. Pelo histórico vai virar Secretário de Estado.

    Abraço,

    Adevaldo

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  3. Carlos A. Pimentel

    Muito bom e divertido. Nada como um funcionário que, alem das suas obrigações do cargo, surpreende os clientes com outras atividades, sem cobrar nada por isso!

    Abraços,

    Beto

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  4. LuDiasBH Autor do post

    Devas

    O Lagarto era um excelente funcionário, pois dava conta de duas funções, ganhando apenas por uma.
    Quanta solidariedade humana!
    Que sujeito mais generoso.

    Adorei seu causo e ri muito.
    Será que ele ainda trabalha na função?

    Grande abraço,

    Lu

    Responder

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