Marcos Vidinha – SUPERANDO A DEPRESSÃO

Autoria de LuDiasBH

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Prazerosamente o nosso blog traz para seus leitores a tela denominada Superando a Depressão, obra do pintor Marcos Vidinha, nascido na cidade do Rio de Janeiro/RJ e radicado na cidade de Santos/SP. O artista tem se tornado cada vez mais conhecido no universo da arte, nacional e internacional, através da divulgação da sua obra no seu site de pinturas (www.pintura.ucoz.com.br) e no nosso blog.

O modo como a depressão atinge suas vítimas sempre sensibilizou Marcos, sendo que o relato de Eunice Mendes, em seu livro “Depressão Versus Esperança”, que narra, com brilhantismo e coragem, toda a sua batalha para superar a doença, e o que faço aqui no blog, juntamente com diversos comentaristas, portadores de depressão, levou-o a criar esta obra de profunda sensibilidade. Em conversa com o artista, ele me relatou como nasceu a idéia de pintar uma tela sobre um tema de tamanha complexidade, mas ao mesmo tempo tão humano:

“Embora eu não tenha nenhum sintoma aparente de depressão, tenho amigos que declaradamente sofreram com ela, mas, com tratamento médico adequado, conseguiram superá-la. Infelizmente, a maioria das pessoas não tem ideia da complexidade dessa doença e do grau de sofrimento causado aos seus portadores e familiares. Muitas ainda pensam que se trata de uma “doença imaginária”, que o paciente é acomodado, que não tem vontade própria para lutar e superá-la. E foi exatamente pensando nisso que tive a ideia de pintar um quadro sobre este universo mental tão diverso, onde habita um número cada vez mais crescente de crianças, homens e mulheres, de todas as idades e raças, em todas as partes do mundo.”.

Impressionada com a serenidade e beleza da composição, ainda que retrate um tema tão multíplice, pedi ao artista que me explicasse todos os aspectos considerados por ele na obra, e detalhasse toda a sua simbologia. Marcos assim explicou:

• a depressão é o motivo principal da obra, nela representada pela figura de um dragão, que atormenta a vida do doente durante os momentos de crise;

• a figura depressiva, vista na pintura, é propositadamente a de uma mulher, pois são elas, as mulheres, as mais atingidas por essa doença mental, talvez por serem elas, em geral, mais sensíveis, mais preocupadas e mais dedicadas do que os homens, ao enfrentarem-na de “peito aberto”;

• a personagem principal encontra-se numa posição de encolhimento, retraída, tentando se defender da ameaça inimiga, durante uma de suas crises depressivas;

• a prisão, que confina a vítima, é representada por um esqueleto de crânio humano, simbolizando a localização física do problema, e também a sensação indescritível de risco de morte, quando atacada pela síndrome do pânico;

• durante as crises mais agudas, a pessoa sente como se estivesse imersa em trevas infernais, por isso, retratei a prisão da doente na região do magma terrestre (lava incandescente), tendo sobre ela a camada de rochas e de águas do mar, representando seu isolamento da sociedade e a concentração em si própria;

• para fortalecer ainda mais a sensação de solidão e isolamento, concebi a cena confinada num poço tronco-cônico. A forma tronco-cônica do poço busca acentuar no observador essa sensação de desamparo e desolação;

• o olhar do observador é de proximidade (campo de cor quente, aproxima a sua visão), como se ele testemunhasse a paciente no seu momento de crise;

• há na pintura a representação de dois cenários, o dia e a noite. À noite, quando há uma sensação de que todas as dores se agravam, foi retratada pictoricamente da seguinte forma: acima do nível do mar, como uma noite de luar, pintada num azul escuro, levemente esverdeado; nos trechos, do mar e rochoso, foi pintada na cor preta, pois não há luz; na parte do magma, não houve diferenciação do dia para a noite (tudo se confunde) e foi pintado na cor magenta escuro avermelhado;

• a superação da depressão ocorre, quando a paciente consegue escapar de sua clausura, passar pelo dragão (depressão), e nadar em direção a superfície do mar, em busca da vida gerada pela luz do sol e pelo encantamento da noite de luar (ambos representados na pintura), para retomar seu equilíbrio mental e lutar pelo seu direito de ser feliz;

• a cena da obra é uma paisagem, sendo por tanto de se esperar o uso da tela na posição de paisagem (largura na vertical e altura na horizontal), no entanto, decidi optar pela utilização da tela na posição retrato (largura na horizontal e altura na vertical), visando intensificar o efeito de profundidade, de isolamento;

• finalmente, optei por representar todas essas figuras por pontinhos, ao invés de campos de cores, para dar a sensação de seres e objetos imaginários, que, como já dissemos, é a visão de uma grande parte das pessoas sobre a doença. Ao representar as personagens retratadas através de pontinhos, objetivei exercitar a imaginação dos observadores, para que construam, eles próprios, as personagens, como faziam quando crianças nos desenhos “ligue os pontos”.

Marcos Vidinha dedicou esta obra a todos aqueles que sofrem com esta doença, como forma de incentivá-los a superá-la, pois, com um tratamento médico adequado, o objetivo da busca de uma merecida qualidade de vida será alcançado.

Ficha Técnica:
1 – Título: Superando a Depressão (Overcoming Depression)
2 – Ano: 2015/2016
3 – Dimensões: 40 cm x 60 cm
4 – Registro Artístico da Pintura: 34
5 – Classificação: paisagem (imaginária)
6 – Estilo compositivo: livre de regras
7 – Estilo pictórico: policromático, com uso de tinta acrílica e pincel
8 – Localização: minha coleção particular

Contato:
e-mail: mavidinha@uol.com.br
site: www.pintura.ucoz.com.br

13 comentários sobre “Marcos Vidinha – SUPERANDO A DEPRESSÃO

  1. Rui

    Amigo Marcos

    Há dias venho espreitando o seu quadro, tenho pensado nas suas muitas cores. Elas não são sementes, ou melhor, nós próprios?
    A sua obra de arte para mim é poesia. Fique com Deus!

    Abraços

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    1. Marcos Antonio Moreira Vidinha

      Rui

      Meu prezado amigo Rui, fico muito feliz que a minha pintura sirva “de estudo” e quem sabe possa servir até de inspiração para você. Suas palavras me deixam ainda mais motivado para realizar outras pinturas. Estou torcendo para o amigo trilhar essa caminhada difícil, mas desafiadora, do mundo das artes: desenho, pintura, escultura…
      Fique com Deus.

      Abraços
      Marcos Vidinha

      Responder
  2. Leila Gomes

    Marcos

    Obra suave e tenaz simultaneamente. Acredito que o vermelho, por ser uma cor vibrante, simboliza a efervescência de sentimentos, agonias, o amarelo é inovador, traz a esperança, o otimismo e o azul, por ser uma cor mais suave, passa a tranquilidade e lucidez finalmente restabelecidos

    Abraços,

    Leila.

    Responder
    1. Marcos Vidinha

      Prezada Leila

      Muito obrigado por seu comentário. Realmente as cores são vetores que transmitem sentimentos e emoções. A minha netinha, que tem quase três aninhos, costuma dizer ” Vovó eu adoro o rosa, mas gosto de todas as cores, viu?…”. Ela está coberta de razão! Todas as cores são maravilhosas… E todas elas têm um papel específico a desempenhar, que só cada uma delas pode fazê-lo.

      Fique com Deus.
      Abraços
      Marcos Vidinha

      Responder
      1. Rui

        Marcos

        Uma criança não mente, pois diz o que pensa, como fez sua neta.
        Fiquei fascinado com obra, por toda a sensibilidade que demonsta nesta linda forma de comunicar. Na verdade, não tenho como a traduzir em palavras. A arte é precisamente isto, feita com amor e ajudando muitos a combater a depressão. A sua dedicação é grande, e isto se vê nesta obra-prima.

        Abraços

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        1. Marcos Vidinha

          Rui

          Você com sua generosidade é que me deixa sem palavras, sem saber o que dizer, muito obrigado.
          Um beijo no seu coração.
          Fique com Deus.

          Marcos Vidinha

      2. Leila Gomes

        Oi Marcos

        Realmente as cores transmitem sensações indescritíveis e trás magia a nossa vida.
        Parabéns pela obra! Sensibilidade explícita e palpável.

        Abraços,

        Leila

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  3. LuDiasBH Autor do post

    Marcos

    Encanta-me a sua extrema sensibilidade. Jamais pensei que pudesse, através de um tema tão complexo, fazer um quadro tão belo. Todos nós depressivos agradecemos o seu carinho.

    Abraços,

    Lu

    Responder
    1. Marcos Vidinha

      Lu

      Minha prezada amiga, mais uma vez e milhares de vezes por pensamento, agradeço-lhe pela delicadeza e generosidade que tem para com esse seu amigo, ao divulgar esse e outros trabalhos meus, neste blog de tanta beleza e utilidade para todas as pessoas que gostam de arte. Serei eternamente grato a você.

      Com certeza minha sensibilidade não foi capaz de captar em profundidade todos os aspectos envolvidos com a depressão, mas acredito que contribuí, mesmo que de uma forma bastante modesta, para ajudar a divulgar a importância do tratamento especializado na superação dessa.

      Um beijo carinhoso no seu coração.
      Mrcos Vidinha

      Responder
    1. Marcos Vidinha

      Prezado Mário,

      Muito obrigado pelo seu comentário. Respondo a sua pergunta com muito prazer:
      A cor vermelha é resultado da mistura de três cores: magenta, vermelho escuro e vermelho médio. Quis utilizá-la para representar o magma terrestre, simbolizando o “inferno”, ou seja, o sofrimento durante a crise profunda da depressão.

      A cor amarela, eu usei no cabelo da personagem. Acho que a pergunta do amigo refere-se à camada de solo e rochas que pintei acima da camada de magma. Essa camada foi pintada predominantemente com cores terra: terra de siena natural, terra de siena queimada, terra de sombra natural e terra de sombra queimada.

      A cor do mar são misturas de ciano (levemente esverdeado) com branco de titânio, com toque de cor terra.
      A cor do céu (durante o dia) são misturas de azul cobalto com branco de titânio, com toque de cor terra.

      Fique com Deus.
      Abraços
      Marcos Vidinha

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