MORRE A TARDE E MORREMOS NÓS

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

urso123

Minha janela abre os olhos para o dia em declínio.
Olho perdidamente as montanhas torsas ao longe,
cismando diante da pungente melancolia da tarde,
enquanto o crepúsculo acrônico invade-me a alma.

Não sei em que ponto da senda nós nos perdemos,
tampouco sei onde se depositaram nossos beijos e
que quadrante do tempo sorveram nossos abraços.
Nossas palavras são agora irrelevantes silêncios.

Seus olhos não mais ejaculam aquela ternura úmida,
e os meus não mais avultam diante de sua presença.
A alegria não mais transborda de sua boca molhada,
e meus braços agora o cingem com indiferença.

Sua espada não mais se coloca em riste na cruzada,
meu espaço não mais alberga as sementes expelidas,
nossos corpos não mais se unem no deleite da carne,
nossas almas não mais ardem no mesmo compasso.

Seu corpo já não se eletriza ao tocar minhas curvas,
o meu já não mais se estremece na juntura com o seu.
Somos dois estranhos, conhecidos de tantos tempos,
cuja familiaridade inda nos impede de dizer adeus.

Talvez tenhamos nos perdido nas curvas do caminho,
ao permitir que o cotidiano devorasse nossos sonhos.
É dolorido ver resvalar-se pelo ralo de nosso desamor
tanto gozo e amor nutridos com extremado zelo.

Lá longe, um denso véu plúmbeo engoliu a claridade,
mas, na cidade, luzes começam a salpicar aqui e acolá.
Inda jaz a esperança de poder ser feliz apesar de tudo.
O anoitecer sempre pare um novo dia. É verdade!

Nota: a ilustração é uma obra de Gustav Klimt

2 comentários sobre “MORRE A TARDE E MORREMOS NÓS

  1. Edward

    LuDias

    Lindos versos. Notáveis são:

    “Talvez tenhamos nos perdido nas curvas do caminho,
    ao permitir que o cotidiano devorasse nossos sonhos.”

    E finalizou:

    “Lá longe, um denso véu plúmbeo engoliu a claridade,
    mas, na cidade, luzes começam a salpicar aqui e acolá.
    Inda jaz a esperança de poder ser feliz apesar de tudo.
    O anoitecer sempre pare um novo dia. É verdade!”

    Mesmo nos desencontros da vida, a noite passa e, talvez, o novo dia surge e, com ele, a esperança do amor renascer.

    Abraços

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      Este poema eu o fiz inspirando-me no rompimento de um casal de amigos.
      Lamentei muito a separação dos dois.

      Obrigada pelo carinho,

      Lu

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *