NA BAIXA DO SAPATEIRO – Waldir Azevedo

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Autoria de Edward Chaddadbaiana

Muito se fala sobre Waldir Azevedo como compositor. No entanto, é importante deixar claro que foi também um dos maiores instrumentistas que tivemos. O mundo se maravilhava, por onde ele passava, exibindo seu cavaquinho, com apenas quatro cordas, tirando sons inimagináveis, inacreditáveis, que mexiam com o entusiasmo de todos. Estupefatos e surpresos, este músico fantástico precisava explicar o que era aquele instrumento tão estranho, o cavaquinho.

Um dos momentos mais lindos, como instrumentista, porém, foi sua interpretação, gravada em disco de vinil, pela Continental, da maravilhosa Na Baixa do Sapateiro, de autoria de Ary Barroso. Nela, ele fez uso de um assobiador, no lugar do refrão “Ai, Bahia, ai, ai! Bahia que não me sai do pensamento, ai, ai!” e, na sua maior parte, deu grande rapidez à execução da melodia, destacando bastante, em clímax, o dedilhar de acordes no seu incrível cavaquinho, para, quase no final, alterná-la em ritmo mais lento, como um samba canção e, de repente, retornar ao ritmo quente, em cadência sublime, usando mais uma vez seu cavaquinho, transformando-o em sons divinos. Um show de interpretação!

A gravação de Waldir Azevedo foi o ingrediente que faltava para Na Baixa do Sapateiro tornar-se a coqueluche dos regionais, fazendo o cavaquinho sambar como nunca, pois sua execução – que pode ser ouvida no site do Instituto Moreira Salles – é extraordinariamente bonita, dando uma roupagem linda demais para essa música, que é uma homenagem à Bahia e também uma das mais bonitas daquele grande acervo musical do Brasil.

Por isso, impropriamente, há quem até afirme que a música Na Baixa do Sapateiro tenha sido de autoria de Waldir Azevedo, o que é uma inverdade, embora ele tenha sido um dos melhores intérpretes desta música. Todavia, uma coisa é certa: Waldir fez inovações extraordinárias na música, arranjou-a de tal forma que lhe deu um pouco de seu talento. Fez seguidores. Nossos músicos aprenderam e muito com a sua genialidade, seja como compositor, seja como instrumentista.

É uma pena que no Youtube não haja nenhuma gravação dessa música pelo Waldir Azevedo; porém, depois de muito pesquisar, consegui deparar-me com uma interpretação de Na Baixa do Sapateiro, onde o destaque é o cavaquinho e nela há certamente muita influência de Waldir.

Foi um show na Conservatória, onde se estava fazendo um tributo a Waldir Azevedo. Ronaldinho do Cavaquinho, muito inspirado, fez uma execução desta música bem semelhante àquela gravada por Waldir. Aí vi que não só o compositor Waldir era lembrado, mas certamente, o notável instrumentista também.

Vamos ouvir Ronaldinho do Cavaquinho e poderemos ter ideia do que foi a extraordinária interpretação de Waldir Azevedo. No início, Ronaldinho discorre sobre uma apresentação ao público jovem, dizendo que gosta muito do Funk, mas que a boa música – oriundas das nossas raízes, acabou por reencontrá-lo (então, é recomendável um pouco de paciência), mas depois… sai debaixo, é um show imperdível. Maravilhoso.

http://youtu.be/00OHOTxkhcQ

Também adorei o show do Sembatuta, no lançamento do seu CD Sembatuta Com Tempero, no Teatro Rival BR, Rio de Janeiro, em 17 de março de 2005. É certeza que Waldir também os influenciou muito e mesmo sem perceber, ele estava, ali, presente, no espírito e no coração de todos os componentes deste maravilhoso conjunto. Vale a pena ouvir.

http://youtu.be/8_n79TQTVZ8

6 comentários sobre “NA BAIXA DO SAPATEIRO – Waldir Azevedo

  1. LuDiasBH Autor do post

    Ed

    Maravilha de postagem, trazendo a beleza das raízes da MPB.
    A postagem do Mário é fantástica.

    Abraços,

    Lu

    Responder
    1. Edward Chaddad

      LuDias

      Tenho mais quatro textos prontos sobre Valdir de Azevedo, que considero um dos maiores compositores, músico e arranjador da música brasileira.
      Já disse ao Mário,em resposta, como adorei a postagem dele, sobre Ray Conniff. Se você achar bom, coloque-a também no texto, ao final.

      Fiz a resposta ao Mário, mas estou temeroso ter perdido a postagem. Se isto ocorreu, ainda amanhã, irei refazê-la.
      Obrigado pelo comentário.

      Responder
    1. Edward Chaddad

      Mário

      Ainda vou escrever sobre ele. Ray Conniff foi um dos meus primeiros ídolos, lá no tempo da minha juventude. Sempre o admirei. Sua orquestra é única, jamais teremos uma outra, tão maravilhosa e tão linda. Acompanhei-o bastante e vi, muito emocionado, quando ele declarou um amor intenso ao nosso país. Além de fazer muitos arranjos com músicas brasileiras, máxime com Cidade Maravilhosa e Aquarela do Brasil, esta última era obrigatória em seu repertório em todo o mundo. Em todo o lugar que ele levava a sua orquestra coral, mostrava a todos um dos seus melhores arranjos: a Aquarela do Brasil. Isto fez, por exemplo, quando visitou o Japão.
      Ray será sempre um artista que estará dentro do coração dos brasileiros amantes da música.

      E você fez uma grande homenagem a Valdir de Azevedo e Ary Barroso. Eu deveria, é verdade, ter postado esta obra prima de Ray Conniff, que mostrou ao mundo a nossa melhor música. Adoro Ray Conniff, Valdir Azevedo – ainda tenho quatro textos dele para postar – e, é claro, o nosso Ary Barroso,todos eles imortais.

      Um abração

      Responder

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