NÃO À AUTOMEDICAÇÃO!

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Autoria do Dr. Telmo Diniz

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A automedicação é a prática de ingerir medicamentos sem o aconselhamento e/ou acompanhamento de um médico ou outro profissional habilitado. Em outras palavras, é a ingestão de medicamentos por conta e risco do indivíduo. É uma prática bastante difundida não apenas no Brasil, mas também em outros países. Medicamentos de uso mais “simples” e comuns estão disponíveis em farmácias ou supermercados e podem ser obtidos sem necessidade de receita médica, como analgésicos, antitérmicos, anti-inflamatórios, entre outros.

Os medicamentos são comprados por indicações de amigos, estimulados pela mídia, internet ou indicação do balconista, não farmacêutico. A onda das depressões, na busca por “um mundo mais feliz”, fez a classe média abusar dos psicotrópicos, sem a recomendação dos médicos. Antitérmicos, anti-inflamatórios e analgésicos são os medicamentos mais utilizados, sem qualquer tipo de orientação especializada. Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, a automedicação é responsável por 25% dos casos de intoxicação no Brasil.

Tendo em vista os problemas decorrentes da automedicação e, principalmente, quando esta é feita com uso de antibióticos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em outubro de 2010, modificou algumas regras para a venda desses medicamentos, que a partir de então passaram a ser vendidos em farmácias e drogarias apenas com retenção de receita. Uma resolução bem tomada, mas que deveria ser estendida a outras classes de medicamentos, que são responsáveis pela maior parte das intoxicações detectadas nos prontos de atendimentos de todo o país.

Para que os leitores tenham uma ideia do perigo da automedicação, cito alguns casos bastante comuns no dia a dia. Por exemplo:

  • uma pessoa que tem “incômodos” no estômago e passa a usar, por conta própria, medicamentos a base de antiácidos ou da família do omeprazol, pode estar mascarando ou escondendo doenças mais sérias como úlceras ou mesmo tumores;
  • outro exemplo bastante corriqueiro é o uso indiscriminado de medicações à base de paracetamol, que podem causar sérios prejuízos ao fígado, como hepatite ou cirrose. A pessoa que, após o consumo de etílicos faz uso desse medicamento, pode sobrecarregar ainda mais a função hepática;
  • o uso de fitoterápicos também deve ter orientação adequada. Só para citar dois exemplos: o uso concomitante do ginkgo biloba com o AAS (aspirina) aumenta o tempo de sangramento nas pessoas, podendo ocorrer hemorragias e, algumas delas, podem ser fatais como nos derrames cerebrais. Já o ginseng usado como estimulante natural pode aumentar a pressão, pode piorar os sintomas dos hipertensos.

O próprio modelo regulador (Anvisa) continua estimulando, indiretamente, a automedicação, com frases do tipo “a persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado”. No meu entendimento, esta frase só vem reforçar o consumo de medicamentos, ou seja, o recado é “use primeiro o medicamento”. Caso os sintomas persistam, procure o médico. Em vez de ser uma frase de alerta, na prática é uma frase de estímulo à automedicação. Melhor seria usar a frase de Paracelso, médico do século XVI: “A diferença entre um remédio e um veneno está na dose”.

Converse antes com seu médico!

(*) Imagem copiada de blogs.jovempan.uol.com.br

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