O BAMBAMBÃ DO PEDAÇO
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Autoria de LuDiasBH

bambã

 Zeca de Sá Quelé achava-se o bambambã da cidade desde o dia em que as moças do lugar resolveram elegê-lo como o rapaz mais garboso daquele pedaço. Tomando o título como um passaporte para os enleios amorosos, Zeca transformou-se, literalmente, num “pegador”. Mas o fraco do moço eram as garotas de fora, que ele chamava de “sangue novo”. Não dava bolas para as conterrâneas, que morriam de amores por ele.

Foi numa festa para comemorar a inauguração de uma agência bancária, que Zeca enrabichou-se pela visitante Samantha, com “th” como deixava bem claro, com seus cabelos doirados despencando-lhe pelas costas, os lábios carnudos breados de carmim e um longo pescoço cingido por um exótico chale de seda azul e verde. Os dois dançaram, bem grudadinhos, a noite inteira, trocando beijos e amassos.

A cidadezinha de Zeca, no que perdia em tamanho ganhava em língua, de modo que mal o dia amanhecera, espalhando o cheiro de café coado pelo ar, o nome do moçoilo já andava de boca em boca, ou melhor, de porta em porta, pois, de acordo com o costume local, as pessoas ficavam nas calçadas de manhã e à tardinha, perto das portas, mexericando sobre o que sabiam e o que supunham ser verdade. O assunto que rolava de ponta a ponta do lugar era que Zeca estava de namoro com um travesti.

Dois dias depois, com a certeza de que fora enganado pelo “sangue novo”, e não mais aguentando as alfinetadas das línguas ferinas e o desprezo das donzelas da cidade, o bambambã caliente pegou o velho ônibus para São Paulo, com a desculpa de que fora convidado para ser modelo.

Bambambã é uma expressão que veio do quimbundo, significa exímio, bom no que faz. A repetição da palavra (bamba, bamba) acabou transformando em bambambã.

Nota: Imagem copiada de vimeo.com

3 comentários sobre “O BAMBAMBÃ DO PEDAÇO

  1. Alfredo Domingos

    Lu,
    Algumas palavras estão em desuso, vamos ver: supimpa, bacana, altaneiro, garboso, galanteio, sacripanta, despudorado, etc., e tal.
    Mas quando elas são inseridas no texto dão graça à escrita. Fornecem um tom “vintage”.
    A sua “decifração de provérbio” acima ficou bem legal!. Destaco o trecho: “Zeca enrabichou-se pela visitante Samantha, com “th” como deixava bem claro, com seus cabelos doirados despencando-lhe pelas costas, os lábios carnudos breados de carmim e um longo pescoço cingido por um exótico chalé de seda azul e verde.”
    Parabéns, abraço, Alfredo Domingos.
    OBS.: FELICIDADES AOS PAIS DO NOSSO BLOG.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Alf

      Eu adoro mexer nessas palavras “antigórias”.
      Dão mesmo um toque risível ao texto, como se tratasse de outro tempo.
      Engraçado é ver como a língua também segue moda.
      No interiorzão, as pessoas ainda possuem uma linguagem com expressões bem antigas.

      Feliz Dia dos Pais para você também.

      Grande abraço,

      Lu

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