O CRISTIANISMO E A FIGURAÇÃO PLÁSTICA (1ª. Parte)

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Autoria do Prof. Pierre Santos

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A religião cristã surgiu em oposição ao paganismo materialista. Esse se baseava na idolatria de imagens deificadas. Os dirigentes do novo culto, partindo do princípio de que Deus é por essência apenas espírito e só espiritualmente poderia ser concebido, proibiram a criação em suporte material de qualquer imagem ou figura, pois tal criação poderia levar os fiéis à mesma espécie de idolatria do paganismo greco-romano. Esta proibição, porém, originara gravíssimo problema: os novos adeptos estavam saindo, em sua quase totalidade, da massa inculta para um culto em formação. Para se ter ideia do problema, de conformidade com dados extraídos da Enciclopédia Larousse, dentro de cada universo de mil habitantes do mundo, no princípio do primeiro século de nossa era, apenas um tinha acesso pelo menos ao aprendizado da leitura. Ora, sendo quase nula a capacidade de abstração do povo ignorante, carecia este do concreto e físico, somente através do que poderia atingir o dogma. Isto seria impossível, sem algo representativo a sugerir e a vincular ao seu aspecto visível a ideação de todas aquelas verdades que se pretendiam transmitir.

Estava criado o impasse e uma das partes devia ceder. O povo, contudo, é o que é por si mesmo, naturalmente, nas pulsações vegetativas do complexo social ao longo da existência. O povo não é um cérebro que para, pensa e decide, mas coração que recebe, acaricia e transforma em anelo. Transigir competia, pois, aos líderes da Igreja, admitindo a figuração plástica como veículo de sua difusão e afirmação, conquanto a mesma tivesse finalidade didática, evitasse toda possibilidade idolátrica, evitando o corpóreo, o físico, e apreendesse das verdades dogmáticas exclusivamente o seu lado simbólico. E, assim, no dizer de Germain Bazin, “a arte se converteu numa linguagem para traduzir em formas a verdade do dogma”.

Assiste-se então ao florescimento de um extenso vocabulário alegórico e mesmo esotérico, perfeitamente afinado com os desígnios da religião, cujos rituais e mistérios, em suas mais variadas representações, se viram adequadamente traduzidos. Contudo, não é na figuração linear, pintada ou imaginativa, onde podemos encontrar a melhor realização desse artista à procura da simbologia. Foi na pesquisa da arquitetura da igreja, na elaboração do templo e em seu significado arquitetônico, onde ele com mais intensidade se realizou, conseguindo para o êxtase, a que pretendia o culto ascender, uma expressão ideal no planejamento e na estruturação de suas construções.

Ilustração:
1. O Bom Pastor e suas ovelhas – Pint. Catacumbária
2. Cesta de pães e o Peixe – símbolo da eucaristia.

Um comentário sobre “O CRISTIANISMO E A FIGURAÇÃO PLÁSTICA (1ª. Parte)

  1. LuDiasBH Autor do post

    Prof. Pierre

    Fico imaginando o quanto teria perdido a Arte, se a ala mais conservadora tivesse sido ouvida.
    Não teríamos Rafael, Leonardo, Caravaggio, Ticiano e tantos outros artistas maravilhosos que deixaram-nos um legado riquíssimo.
    Bendita foi a figuração plástica, portanto.

    Abraços,

    Lu

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