O FLAUTISTA DE HAMELIM E OS RATOS DO REINO

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Autoria de LuDiasBH

rato

Certo reino tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza e, onde se plantando tudo dá, sempre fora vitimado pela presença de ratos, como se fosse esse o seu castigo por ser tão exuberante e frutuoso. Enquanto outros reinos sofriam com outras pragas: terremotos, ciclones, tsunamis, geadas e coisa e tal, aquele era infestado por ratos e mais ratos, e isso desde a sua descoberta. Não havia inseticida capaz de deter aquela praga que infestava câmaras municipais, assembleias estaduais e federais, senado e, até mesmo o palácio do rei. Como se não bastasse, o flagelo ainda se esparramava por todos os órgãos públicos municipais, estaduais e federais. Coisa de louco!

Não é verdade que o povo de Hamelim tivesse vivido sempre feliz, pois gente alguma pode se sentir bem, sabendo que os ratos estão devorando as riquezas de seu país como se fossem suas. E não se tratava de animais bobinhos, sem conhecimento algum. Nada disso. Nunca se vira em todo o planeta uma espécie tão sábia na arte de iludir, ludibriar e explorar. Além disso, eram nepotistas ao extremo. As famílias de ratos dividiam-se em diferentes siglas, cada uma engolindo a outra para ter acesso ao poder, onde poderiam roubar abertamente, sem ter que usar de subterfúgios. É verdade que antes do pleito, elas se atracavam, umas esculachando as outras, chamando-as inimigas do povo e coisa e tal, mas, uma vez no poder, agiam todas do mesmíssimo jeito, como cópias fiéis uma das outras. Trocando em miúdos: eram como a fome e a vontade de comer. Tudo farinha do mesmo saco. Pirão da mesma panela. Lé com cré!

O prefeito de Hamelim, capital do reino, sujeito nem um pouco confiável, aborrecido com a passeata do povo pedindo a expulsão dos bichos, resolveu botar um fim naquela lenga-lenga, que não o incomodava nem um pouquinho, é fato, ao contrário, abria-lhe o campo para embolsar as verbas da prefeitura, atribuindo o malfeito aos ratos, mas o povo estava enchendo a sua paciência. De modo que o dito ofereceu uma recompensa a quem fosse capaz de expulsar tais animais da cidade, embora, no fundo, torcesse pela permanência dos mesmos. E como quem caça, acha, um flautista apresentou-se para solucionar o problema do povo, mediante certa soma. Diziam, inclusive, que ele viera de um tribunal de outro reino.

E assim fez o flautista, botando a boca no trombone, digo, na flauta. Hipnotizados pela música, os ratos passaram a segui-lo, deixando todos os bens roubados do povo para trás, a ponto de nem perceberem que se enfiavam no rio, atrás do flautista, sem jamais terem aprendido a nadar, pois tudo o que fizeram na vida fora roubar. Resultado: acabaram morrendo afogados. Nas ruas, o povo gritava entusiasmado. A vida agora seria bem mais fácil sem os ratos. As verbas da Saúde e da Educação não mais seriam subtraídas, haveria vagas para todos. Os professores e profissionais da Saúde seriam pagos com justeza. Os remédios cairiam de preço. As estradas do reino seriam consertadas. Os alimentos ficariam mais baratos. As repartições públicas atenderiam com rapidez e eficiência. As fábricas pagariam bem seus empregados e produziriam produtos de qualidade. Os impostos despencariam e tudo seria bem mais barato. Enfim, o povo poderia ser feliz, doravante.

Como alegria de pobre dura pouco, o prefeito ladravaz não cumpriu o trato e o flautista resolveu dar o troco. Mudou a melodia e botou a boca na flauta. E começou a tocar “A Banda” de Chico Buarque. Foi a conta para que a meninada brotasse de todos os cantos, correndo atrás do homem. Somente um menininho manco não conseguiu acompanhar a turma alegre que penetrou num buraco da montanha com o flautista. Enquanto isso o prefeito desculpava-se:

– Estão vendo, era bem melhor que os ratos tivessem ficado. O que esses bichinhos fazem é só se apossarem de uma coisinha ou outra, sem fazer mal a ninguém. Mas povo só gosta de reclamar. Aí deu no que deu!

Sem os filhos, o povo achou que o prefeito tinha razão. Já que era assim, que tudo continuasse como dantes, pois os grandes sempre nasceram para levar a melhor. Mas o menininho manco não pensava assim. Estava triste, é verdade, com a perda dos amigos, mas deveria haver outro jeito de trazê-los de volta, sem que os ratos voltassem ao reino. Seu coraçãozinho, apesar de jovem, chorava pela ausência da criançada, mas também clamava por justiça.  E ele não poderia se omitir, diante da gravidade da situação. Encheu uma garrafinha de água, botou um pão com mortadela na sacola e se pôs a andar para a montanha. Não é que o flautista havia esquecido sua flauta sobre ela! O menininho tomou-a nas mãos e, milagrosamente, pôs-se a tocar uma música desconhecida, mas que fez todas as crianças saírem de dentro da montanha, deixando a hipnose em que se encontravam.

Mas, para a infelicidade do povo, os ratos foram voltando aos poucos, até tomarem conta de todos os lugares do reino. E tudo ficou como dantes, no quartel de Abrantes.

(*) Imagem copiada de estatuasvivas.ipt.pt

5 comentários sobre “O FLAUTISTA DE HAMELIM E OS RATOS DO REINO

  1. LuDiasBH Autor do post

    Nel

    Temos que usar todas as armas que temos para denunciar os ratos.
    Não podemos ficar omissos.

    Beijos,

    Lu

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  2. Nélio Sebastião Lemos

    Lu, eu não só conheço Hamelim como vivo nele. O único problema é que sua população não pocura resolver a situação. Simplemente critica. Mas na época da eleição votam nos mesmos ratos. Tenho ainda a esperança que essa população chegue a conclusão que esses ratos devem ser tratados com Ratomim e não vote mais em Sarney, Paulo Maluf, Newton Cardoso, e outros ratos da mesma raça. Bjs

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Nélio

      Enquanto o povo tem memória curta, os políticos possuem uma memória de elefante.
      Os ratos são pródigos na arte da enganação.
      Eles entram em qualquer buraquinho e fazem um grande estrago.

      Abraços,

      Lu

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  3. Manoel Matos

    Lu

    Adorei a ironia contida na história. Se não dá nomes aos bois quem não quiser. Há ratos por todos os lados e muita mentira nas propagandas. Só Deus para ter pena de nós.

    Beijos

    Nel

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Nel

      As verdades, muitas vezes. são ditas através da ironia.
      As propagandas são imorais.
      Haja mentiras!

      Abraços,

      Lu

      Responder

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