O GATO DE BOTAS ESPERTALHÃO

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Autoria de LuDiasBH

botas

Conta-se que um moleiro, ao passar desta vida para uma melhor, deixou como herança para os três filhos os seguintes bens: um moinho, um asno e um gato. De modo que, preocupados com os impostos sobre tão mísero legado, os três irmãos resolveram repartir os bens amigavelmente, obedecendo apenas ao critério da idade. No isso é meu e aquilo é seu, coube para o mais moço o gato.

O rapazinho choramingou sem saber o que fazer com o bem recebido, pensando que melhor seria não ter ficado com nada. Ao ouvir as lamúrias de seu dono, o gato pediu-lhe um par de botas, um paletó, uma capa, um chapéu, um cinto e uma espada novos. Como não tinha um tostão furado ou qualquer outro tipo de bem que não fosse o felino, o rapazola surrupiou a vestimenta e a espada de um fazendeiro que tomara uma caninha a mais, e se encontrava profundamente adormecido, espichado num beco escuro.

Vestido com tal indumentária, o gato caçou uma pobre lebre, que nada tinha a ver com sua história, e a deu ao monarca do reino em que viviam, como se fora um presente enviado por seu dono, o marquês de Carabás, o que deixou o tal senhor muito agradecido. Pelo visto, o rei não passava de um pé-rapado, a ponto de se alegrar com um presente tão comum e que mal dava para um mixuruca banquete, uma vez que qualquer reino tinha uma matilha responsável pela caça das mais nobres carnes.

Sabedor de que o rei iria sair a passeio, o gato vivaldino pediu a seu dono que tirasse a roupa e ficasse totalmente pelado dentro do rio, com ares de quem estava muito envergonhado. Para que o delito não viesse a ser descoberto, o felino escondeu a vestimenta rasgada do moçoilo debaixo de uma enorme pedra. E mal a comitiva real aproximou-se, o gato pôs-se a gritar em altos brados, alegando que seu dono, o marquês de Carabás, estava em apuros, pois fora assaltado por um bando de ladrões que lhe roubara sua fina vestimenta. O rei, que era uma leseira só, caiu como um patinho na lorota do bichano. Levou o falso marquês para o seu castelo, dando-lhe roupas e ainda lhe apresentou a sua filha princesa, solteirinha da silva e à cata de um bom partido.

O gato sabia que seu dono ficaria em apuros, se outros arranjos não fossem feitos. Por isso, foi ao castelo de um ogro vaidoso, que se gabava de ter poderes para se transformar no animal que quisesse. Acabou aceitando o desafio do bichano para se transformar num ratinho, sendo imediatamente devorado pelo gato maroto. Só não fica claro o porquê de o felino só ter tomado tal decisão depois, se poderia ter dado uma vida de conforto ao velho moleiro, comendo o ogro antes, já que sabia onde ele morava.

O rei bobó, ao passar em frente ao castelo e ficar sabendo que ele pertencia, segundo o gato, ao marquês de Carabás, seu dono, tratou logo de casar sua filha com tão rico sujeito. Também é de espantar que o monarca não tivesse conhecimento do ogro, pois, aparentemente, os dois moravam bem próximos, de modo que seus reinos eram fronteiriços. E onde andavam seus conselheiros e coisa e tal? O fato é que o falso marquês e a princesa acabaram contraindo núpcias e ainda foram aclamados pelo povo do reino do ogro, felizes por terem sido libertados das garras do monstrengo. E todos foram felizes para sempre.

Em suas memórias, o Gato de Botas conta que ficou surpreso ao tomar conhecimento de que sua história estava sendo contada a todas as criancinhas do mundo, sendo transformado em herói, uma vez que levara uma vida de mentiras e trapaças, sempre procurando passar os outros para trás e levar a melhor. Ele não passava de um mau exemplo até mesmo para os adultos. Sem falar que seu amo fora conivente com todas as suas ardilezas, em suma, um comparsa.

Vá lá compreender os humanos! – exclamava o felino, já com sua voz bem cansada.

Nota: Imagem copiada de entretenimento.r7.com

Um comentário sobre “O GATO DE BOTAS ESPERTALHÃO

  1. Manoel Matos

    Lu

    Este gato de botas tem toda a razão. Eu nunca havia visto a história sobre este ângulo. Você enxerga longe.

    Beijos,

    Nel

    Responder

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