O HOMEM AZIAGO E A MERETRIZ

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Autoria de LuDiasBH hila12345

Olha de um lado pra outro, inquieto.
A rua parece acomodada nesta tarde.
As poucas pessoas andam apressadas.
Todo mundo parece ter destino certo.

É uma rua de casas toscas e humildes.
De repente, seus olhos curiosos luzem.
O endereço procurado está bem à vista,
tal e qual lhe informaram os mendigos.

Permitem-lhe a entrada na peça central,
depois de três violentos toques de dedos.
Indicam-lhe como assento, na sua espera,
uma desconjuntada cadeira de sisal.

Três miúdos cômodos circundam a sala.
Um odor agridoce começa a desprender.
Pega uma revista amarelada pelo tempo,
e começa a folheá-la, a esmo, sem ler.

Ele é convidado a se adentrar no quarto.
Olha tudo ao redor com certa repugnância.
Há excesso de coisas saindo por todo lado,
e tudo é sórdido, numa exótica lambança.

Ela traz os cabelos sebosos, em desalinho.
O corpo balofo evidencia seu voraz apetite,
que ele conjetura ser o mesmo na cópula,
já com seu membro arrojado em riste.

As proezas na alcova não me são fiadas,
nem me interessa a ação dos partícipes.
Só sei que o homem aziago dali emergiu
como o mais feliz de todos os príncipes.

Nota: obra de Fernando Botero

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