O LEÃO E O RATO

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Autoria de LuDiasBH

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O Senhor Leon, rodeado por todos os assemelhados do grupo dos felinos e cansado de tanto caminhar de um lado para outro no seu refrigerado e charmoso gabinete, optou por tirar uma soneca à beira do lago Parapoá, longe do falatório dos presentes, todos sem ter o que fazer, ou melhor, sem querer fazer nada. Escolheu uma grande sombra, ainda que inferior ao seu ego, e ali estirou seu corpanzil que nunca destilara uma só gota de suor por pegar no pesado. Sua vida fora sempre regada a prazeres e a artigos finos e muita verborreia. Ai, como lhe era cansativo falar!

Enquanto estava ali, à beira do lago, pensando nas viagens que faria com a família pela Europa, e como poderia acomodar os filhos dos amigos em seu gabinete, o Senhor Leon sentiu que algo estranho caminhava sobre sua barriga adiposa, curtida pelos Bordeaux e Borgonhas importados. Virou-se de lado e, minutos depois, roncava tão alto a ponto de estremecer o palácio. Mas novamente veio aquela sensação estranha, agora mais pesada e ligeira. Abriu os olhos, ainda cheios de muita preguiça, e deparou com três humildes criaturas que tentavam chamar a sua atenção.

A insolência dos três pobrecos deixou o Senhor Leon visivelmente irritado, pois não era chegado à plebe. Irado, gritou por seus seguranças, enquanto tentava segurar os infratores. Dois escaparam, mas um deles, o mais magrinho, ficou preso debaixo de seu sapato Manhattan Richelieu, da Louis Vuitton, considerado o mais caro do mundo.

O humilde Rattus rattus, preso na sola do legislador, sentia tanto medo, que mal conseguia balbuciar palavras de desculpas. E tanto pediu e tanto implorou que o “nobre colega” resolveu lhe dar um pontapé no traseiro e deixá-lo ir. Não valia a pena perder tempo com tão insignificante criatura, contanto que nunca mais aparecesse à sua frente. Dispensou seus guarda-costas e continuou a sua soneca, embalado por sonhos de poder e grandeza.

Eis que, num ano qualquer de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor Leon acabou preso na rede do IR. Apesar de fina, ele não lograva romper a malha. Injuriava, arremetia-se e urrava, mas não conseguia escapar. Tinha a certeza de que os inimigos haviam armado uma emboscada a fim de tirá-lo do Legislativo. Se a mídia ali chegasse, sua carreira estaria perdida para todo o sempre. Foi quando lhe apareceu o humílimo Rattus rattus, relatando o ocorrido de outrora. Feliz da vida, o prisioneiro começou a lembrar ao coitadinho de como fora generoso por não o ter feito apodrecer no xilindró, pois, o respeito aos humildes era a sua plataforma de trabalho. E que todas as suas forças estavam sendo usadas no combate aos grandes, a fim de beneficiar os pequenos. Falava ininterruptamente, como se não tivesse feito outra coisa na vida, a não ser usar a palavra em causa própria.

Rattus rattus era humilde, mas não era babaca. Sentiu que aquele era um momento único em sua vida miserável. Sempre tivera que se submeter aos mais fortes. Sempre se sentiu como o cocô do cavalo do bandido. Nunca passou de um mísero número abstrato. E, como quem nada quer, começou a mostrar os dentinhos afiados para o Senhor Leon, como quem diz “que está com a faca e o queijo na mão”, podendo ou não o libertar. Pensou, ponderou, refletiu, e por fim filosofou:

Eu sou o povo. E o povo precisa vencer pelo menos uma vez na vida. Que esse canalha colha o que plantou.

Dando a bunda como resposta ao Senhor Leon, Rattus rattus foi alegremente contar aos amigos o ocorrido.

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