O MESTRE CIGANO E O IUÇÁ PENIANO

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Autoria de LuDiasBH

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Professor Espiridião Cigano, mestre renomado na sabença e na formosura, motivo de nove entre dez suspiros das virgens, solteironas e casadas da pequena cidade de Vintém do Norte que se esparrama pelas margens do velho Jequitinhonha, nunca havia derrelito o seu torrão natal, até que se viu acometido por uma coceira peniana das brabas que também bandeava para o lado de lá, botando o inditoso do docente para saracotear por todos os lados, desatinadamente. A princípio, simulava dançar, dando um repuxo nas partes indescritíveis, mas depois a chanha foi se avolumando, deixando o mancebo totalmente despirocado.

Tudo isso deu iniciação num certo final de semana, quando o mestre Esperidião Cigano foi carrear a mulher do farmacêutico para uma aula de botânica e anatomia, in loco, ou seja, onde o rio faz a curva e existem touceiras de poáceas volumosas e altas. Na introdução, mostrou-lhe, com detalhismo jamais visto, as partes do corpo humano, por sinal muito bem robustecidas, fazendo com que a aprendiz, mas nem tanto, apalpasse fibras, ligamentos e músculos, detendo com maior atenção, é claro, no mais viripotente músculo. Terminada a aula de anatomia, docente e discente, estenderam-se na grama a fim de estudar detalhadamente os enlaces e entrelaçamentos do murumbu. E, no vira e mexe, tamanho foi o zelo para com a natureza humana e vegetal, que alguns talos das ousadas ciperáceas acabaram esgatanhando as pudendas partes do tão famigerado preletor.

Esperidião Cigano, desatinado com o coça-coça, buscou o parecer do boticário, marido de sua blandiciosa discípula, que argumentou se tratar de oxiuríase, mas o remédio receitado nenhuma eficácia teve sobre a formicação do mancebo.  O benzedor, Nonato das Cabras, atestou que era cafubira das bravas, devendo o sofrente tomar banho de imersão com chá de hortelã do mato, saião, gengibre, alho e limão e, ao se deitar, colocar no local uma cataplasma de folha de malva com banha de galo. Mas a iuçá só fazia piorar, com rima e tudo. O certo é que nada deu jeito no infortúnio respeitante à coceira, tendo o homem do saber que rumar apressadamente para a capital com o seu coça-coça.

Na capital, Espiridião Cigano foi conduzido por um ex-aluno, que ali continuava seus estudos, no consultório de certo dermatologista. Mal adentrou na sala de espera, que se encontrava repleta de pacientes, uma recepcionista perequeté e de ar altivo chamou-o até o balcão. Após assentar seus dados, pôs-se a lhe fazer perguntas, sem ao menos bemolar o tom da voz. E assim se deu o colóquio entre paciente e secretária:

– Bom dia, senhorita! – cumprimentou o polido professor.

– Bom dia, senhor, o que o senhor está sentindo? Por que quer ver o doutor? – questionou-lhe a recepcionista.

– Tenho um problema com meu pênis – respondeu ele.

 Como alguns dos presentes rissem da resposta dada, a recepcionista irritou-se e se dirigiu rispidamente ao professor:

 – Você não deveria dizer coisas como estas diante das pessoas.

– Por que não? Tu me perguntaste o que eu estava sentindo e eu respondi – respondeu calmamente Tião Cigano.

Os pacientes voltaram a rir novamente, deixando a moça meio sem jeito e confusa. E ela se explicou:

– Poderia ter sido mais dissimulado e dizer, por exemplo, que teria uma irritação no ouvido e discutir o real problema com o doutor, mais tarde e em particular.

 Ao que o professor interiorano, já enfezado com os disparates da recepcionista, respondeu desafiante:

 – E tu não deverias fazer perguntas diante de estranhos, se a resposta pode incomodar.

Depois, acalmou-se e saiu da sala de recepção. Minutos depois, entra de novo e se dirige à mesmíssima moça:

 – Bom dia, senhorita!

 A recepcionista sorriu meio sem jeito e perguntou:

 – Sim!!!!

 -Tenho problemas com meu ouvido – reclamou o professor.

 A recepcionista assentiu e sorriu, vendo que ele havia seguido seu conselho e estava tentando desfazer a primeira impressão. E voltou a lhe perguntar:

– E… o que acontece com o seu ouvido, senhor?

 – Arde quando eu mijo – respondeu-lhe o mestre.

 Os pacientes explodiram numa sonora gargalhada, deixando a moça afogueada como uma brasa e Espiridião Cigano ainda mais famígero, apesar da quipã que já lhe descia pelos quartos.

(*) Carlos I em Caçada/ 1635/ Anthony van Dick

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