O TAPETE

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Zak Valença

Os tempos estavam sombrios
Um mundo de dar calafrios
Confusão
Ventania
Turbilhão
No reino da tristeza, ante a luta em ebulição,
A pior das batalhas que podia me surgir:
Forçado pelas circunstâncias,
Eis que me deparo comigo mesmo!

Incessantes lutas foram travadas,
Em gritante condição de desigualdade.
Se ainda insistia com minha velha racionalidade,
O inimigo, no golpe mais baixo do seu arsenal,
Me cortava os suprimentos de esperança.
Ah, isso não podia ser luta, mas dança
Uma dança fatal…

E foram vários passos nesse suplício
Seguindo na toada um pra cá, dois pra lá…
Lá, onde fica o precipício…
Não sei se por bondade ou desleixo,
Mas uma coisa o inimigo ainda havia me deixado:
A boca, e haveria de ficar calado?

E eis que descobri o professor G
Veterano nas orquestrações nos campos de batalha
Eu jogando, ele “professor”
Sim, as batalhas haviam virado jogos.

E daí ele escalou o Sr. Oxi para fazer dupla comigo
Que, ainda assim, teve que brigar para se integrar ao time,
No início foi quase expulso.
Logo após, sem ação e sem pulso,
E o inimigo ganhou impulso.

Foi quando me foi gritado à beira do campo:
“Usa a paciência, que vai dar certo!”
Era o professor G, mas também com Lu e seus amigos.
Sem acreditar, atendi no entanto
É que não parecia ser esperto.

Só que não…
Foi!
O time recuperou o fôlego.
E, ainda trôpego, conseguiu aplacar o adversário
Até há pouco ainda me perguntava como,
Mas suas armas tinham se calado

Passa-se um ano de calmaria,
E tudo em paz parecia…

Só parecia.

E não é que o inimigo havia ressuscitado?
Ora, ressuscitado…
Só ressuscita quem morre, e quem disse que ele havia morrido?

Surfando nas circunstâncias,
ele me pegou de novo, de jeito,
Descansado, e eu, iludido

Foi quando, espantado, percebi mais um no time dele
Um tapete, sussurrando friamente ao meu ouvido:
“Quem você acha que encobria seus monstros
Enquanto você achava que os tinha vencido, idiota?”
Sim, duro, incisivo, frio e grosseiro,
esse era seu novo artilheiro

Como assim, um tapete?!
E, pior, tecido por mim mesmo,
Aquele eu, maldito, que teima em não me dar satisfações!
Aí a aflição se agiganta, diante do questionamento:
Teria sido eu vítima de uma manobra sorrateira dele
Ou engenhoso cúmplice neste vil encobrimento,
Que, de tão engenhoso, enganou até meu monitoramento?

Agora eles riem de mim,
De tão forte que foi o baque
Tão fraco fiquei assim
Que nem consigo um ataque

Como pode? Se aquela vitória era só ilusão,
Como vencerei agora,
Sem mais achar munição?

Maldito tapete! (É mais cômodo xingá-lo do que eu)
Agora desfila na minha frente como a caixa aberta de Pandora
Tremulando os ventos da confusão de outrora
Chora, Zak, chora…

Nota: Melancolia, quadro de Edvard Munch

4 comentários sobre “O TAPETE

    1. Zak

      Rafael,
      Muito obrigado pela consideração. Fico muito feliz em saber que tenha gostado do meu poema.

      Abraço,

      Zak

      Responder
  1. LuDiasBH Autor do post

    Zak

    Em seu belíssimo poema, você delineia a trajetória de sua luta contra esse transtorno que está presente na vida de grande parte da população mundial, da qual faço parte: a depressão. A luta é deveras desigual, principalmente em seus primeiros tempos, quando ainda não nos inteiramos sobre quais armas usar. Mas assim que travamos conhecimento com o campo do inimigo, munindo-nos de paciência, otimismo e persistência, transformando-nos em guerreiros POPs, ele não subsistirá.

    O conhecimento de que a depressão poderá ser, na maioria dos casos, recorrente, é importante para deixar-nos em alerta, pois, como um galhinho de hortelã, deixado em meio ao subsolo, ela cria vida, e surge, dona do espaço, querendo manejar nossa vida. Cientes disso, damos-lhe um chega para lá.

    Zak, em todos os meus anos convivendo com a deprê, confesso que, além do tratamento, uma tomada de posição em relação a essa doidivanas, transformou a minha vida: passei a não dar a ela a atenção que deseja. Trato-a com respeito, mas não mais permito que tome as rédeas da minha vida. Há muitos anos tenho estado na direção, pois eu não sou lá de entregar os pontos. Quem manda na minha vida sou eu… Risos.

    Amiguinho, uma batalha não é ganha, muitas vezes, apenas com uma só vitória, mas demanda muitas. A principal muninção é o conhecimento de campo e o não ceder diante do inimigo. O tapete, coitado, durante um breve tempo, nós o usamos como escudo, diante de nosso desconhecimento, como faz uma criança com medo do “bicho-papão”. Ele teve a sua serventia, por isso, não o culpe. O desmanchar de suas tramas significa o surgimento de um novo ser, que se encontra agora no comando. O que é realmente uma maravilha. Você só tem a comemorar!

    Abraços,

    Lu

    Responder
    1. Zak

      Obrigado, Lu.

      Vou me inspirar nas suas palavras para fazer meu esforço mesmo para, mantendo-me POP, reerguer-me de forma mais sólida, sem deixar sair da cabeça que as rédeas da minha vida não sumiram da minha vista ainda, nem sumirão, espero…

      Abraços,

      Zak

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *