O URUBU E O POSTE

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Autoria de LuDiasBH

urubu

Na entrada da cidade existe um poste.
Desse nasce um feio galho de cimento,
na sua ponta há uma flor esverdeada,
feita de alumínio e vidro cinzento.

Pousado ali, no escurecido concreto,
ua mancha negra e elegante espreita
o infinito – paleta anilada de Matisse.
O ponto negro no poste está quieto.

O bicho parece um observador feliz,
talvez perdido em seus pensamentos,
ou mirando as reviravoltas do mundo,
quiçá de olho no próximo alimento.

A obra realista nem mesmo desconfia
que, além das molduras do duro poste,
o homem decompõe sua própria sorte
com as tintas do poder e da cobiça.

2 comentários sobre “O URUBU E O POSTE

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