ODE À ESFINGE DE GIZÉ

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Autoria de LuDiasBH

esfinge

Ó tu q/ foste feita por muitas e muitas mãos,
numa complexa união de deus, faraó e leão!
Repousas nas areias quentes do Egito, como
ferrenha sobrevivente do Mundo Antigo.

Prostrada e judiada pelo passar dos tempos,
e mercantilizada pelo homem voraz e sádico,
contristada, perscrutas através dos milênios,
os mistérios dos povos que por ti passam.

As gentes do teu país habitam a teus pés, e
não mais respeitam as tuas frágeis cercanias.
És destruída pela poluição, vento, umidade e
pela avareza humana que te corrói a cada dia.

Durante o resfriamento da noite e madrugada,
o orvalho condensa-se na tua frágil estrutura.
O sal de teu corpo pétreo sobe para tua pele, e,
em razão da umidade, aí logo se dissolve. Ai!

O orvalho ágil evapora-se e seca durante o dia,
o sal cristaliza e expande de novo seu volume,
investindo contra o teu manto pétreo derreado,
como a força explosiva de uma febril corrente.

E choras, grande deusa, através dos teus poros
que se descamam por motivo da cristalização
do sal infiltrado nos teus ossos, desde antes, lá
no fundo do mar, há milhões e milhões de anos.

Ó bela Esfinge de Gizé, símbolo nacional do Egito,
e ícone mundial! A maior parte de ti é só lamento,
pois morres indefensa em cada pedra que queda,
levando as memórias deixadas por muitas eras.

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