OS CÉUS PARIAM A CHUVA

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Autoria de LuDiasBH

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Havia urgência no calor nauseoso da tarde.
Os meses quentes e secos chegavam ao fim.
O céu, antes azul como uma flor de miosótis,
mudava a roupagem pra um cinza feiozinho.

Aves em bando buscavam abrigo, apressadas.
A terra árida sofrera oito meses de negligência,
ávida por uma gota de chuva no seu seio quente,
e, apesar das incertezas, trazia em si esperança.

Um vento forte começou a cuspir ruidosamente.
Árvores secas dobravam-se num gesto piedoso.
Num lamento de medo, uma coruja piou, ao léu.
As gentes olhavam tudo com olhar langoroso.

A poeira açoitava o restante de vida no povoado,
como uma punição dolorosa, mas não perversa.
Dentro de casa, crianças olhavam pelos buracos,
respirando o ar empoeirado através das frestas.

Cães e gatos aninhavam-se debaixo dos catres,
mostrando o medo numa honestidade tocante.
Lá fora, a natureza rugia num lamento de morte.
Os céus, em trabalho de parto, pariam a chuva.

E ela tinha rosto de mulher – lá nas nuvens!

Nota:  imagem recebida via e-mail.

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