OS TRÊS PORQUINHOS MANDRIÕES

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Autoria de LuDiasBH

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Era uma vez um país muito machista chamado Brazil, onde as mães e as fêmeas em geral, viviam como verdadeiras escravas dos maridos, dos filhos e dos irmãos. Em suma, escravas de todos os machos. Mal os moleques tinham força para empinar o pirulitinho, já se sentiam como se fossem os senhores da casa, muito felizes por não fazerem nada, recebendo tudo nas mãos, sem dar um adjutório sequer.

Quando os filhos da senhora Porcolina já estavam bem taludos, com idade suficiente para concluir o Ensino Fundamental, ela, já descadeirada pelo desregramento de tanto serviço, resolveu dar um basta. Sabia que com o Porcão a peleja seria mais renhida, mas não podia permitir que seus porquinhos seguissem pela mesma vereda do macho velho.

Certo dia, quando Porcão se ausentara, só Deus sabe para onde, Porcolina resolveu dar independência aos bacorinhos, de modo que cada um levasse a sua vida onde bem entendesse, contanto que a deixassem em paz, pois já estava cansada de tanto labutar, mas, como mãe carrega sempre um coração intumescido de amor pelas crias, Porcolina ajuntou suas parcas economias e dividiu-as entre os filhos, recomendando-lhes que deveriam, em primeiro lugar, comprar uma casinha. Pois a casa é o santuário da vida sobre a Terra, principalmente diante das adversidades, que mais cedo ou mais tarde acabam chegando.

Os rapazotes então partiram para a cidadezinha mais próxima, onde optaram por construir, cada um, o seu novo lar. Mas na hora da escolha do material para levantar a casa, eles acabaram se atritando. Mas, uma vez resolvida a rezinga, cada qual comprou o que bem quis. O mais preguiçoso optou pela palha que, além de macia e barata, não demandava tempo para erguer sua vivenda. O segundo, também parte do rol dos mandriões, optou pelo uso da madeira. O terceiro, mais inteligente, mas não menos preguiceiro, resolveu levantar sua casa com tijolos. Já que eram tempos de murici, que cada um cuidasse de si.

Notícias davam conta de que, na calada da noite, o senhor Canis Lúpus andava a cata de mocinhos bem cuidados e cheirosos, para, como na Grécia Antiga, iniciá-los na prática do amor. O fato é que dona Porcolina, embora fosse uma esmerada genitora, era também uma mãe muito acanhada. Nunca teve fidúcia para conversar com seus rebentos sobre as parafilias da vida. Deixava o assunto aos cuidados do Porcão, que achava que macho que é macho não precisa falar de sexo. De modo que os meninos desconheciam tais assuntos, embora já estivessem com os pelos brotando nas regiões pudendas do corpo rechonchudo.

Senhor Canis Lúpus ficou sabendo que havia sangue novo na cidade. Começou visitando os mocinhos, dizendo-lhes que era um famoso escritor da cidade grande que estava no interior para buscar inspiração para seu novo livro. Depois passou a lhes levar vários tipos de lambiscarias, enchendo-os de mil e um paparicos. Até que, certo dia, ofereceu-se para limpar, no capricho, as casas dos preguiçosos. Havia muita sujeira pelo chão, roupa suja amontoada pelos cantos e vasilhas grudentas na pia. Os napeiros sentiram-se prazenteiros por ter alguém que lhes fazia o serviço. E, de rabo para o ar, puseram-se a roncar a tarde toda, como faziam na casa da mama porca.

O suposto escritor, Canis Lúpus, resolveu começar pela vivenda de tijolos. Após terminar o serviço, começou a uivar palavras concupiscentes nos ouvidos do rapazelho, que acordou bufando de medo. Viu que a porta estava trancada e também as janelas. Não sabia o que fazer. Estava prestes a ser seviciado. Para sua sorte, o senhor Canis Lúpus tropicou num sapato e caiu, batendo a cabeça na cama. O coitado do garoto pegou a chave e saiu feito relâmpago, sem avisar aos irmãos sobre o perigo à vista.

Refeito da queda, o predador foi limpar a casa de madeira, onde o pequeno mandrião já dormia. Mas apenas varreu a casa e já partiu para os “finalmentes”, repetindo o mesmo ritual. E, novamente, a casinhola estava fechada, com trancas na porta e janelas. Fugir era humanamente impossível. E de novo o pega-pega, até que Canis Lúpus embicou a cabeça num caibro e caiu empalamado, ocasião em que o moleque aproveitou para fugir e… Pernas, para que as quero!

Depois do segundo tropicão, o leitor já percebeu que o senhor Canis Lúpus não enxergava muito bem. De modo que, mal passada a zonzeira, correu para a casa de palha, onde o terceiro tanjão até babava de tanto ressonar. O suposto escritor estava no auge da moléstia e da tesura. Mas, mal ululou no ouvido do mais preguiçoso, esse pegou um tição de lenha e pôs fogo na palha da casa, que rapidamente entrou em combustão. Canis Lúpus, mais cego do que o Besouro Leptodirus, não conseguiu encontrar a saída e morreu tostado.

O prefeito da cidade, alegrado com a morte do tarado Canis Lúpus, que há muito vinha escapando de todas as diligências policiais, promoveu um bate-cocha de varar a  madrugada, ocasião em que deu ao mais mandrião dos três filhos de dona Porcolina a chave da cidade. E baixou um severo decreto: doravante todas as casas da comarca deveriam ser feitas de palha, para a segurança dos moradores contra possíveis degenerados sexuais.

Contam os anais da história que o moço jubiloso tornou-se o próximo mandatário daquele fiofó do mundo. Se preguiçoso era, mais preguiçoso ficou ainda, tendo um monte de louvaminheiros para lhe atender as mínimas carências, inclusive a de limpar seu rabicó.

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