PACIÊNCIA À BEÇA

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Autoria de LuDiasBH lixo1

À medida que a população das grandes cidades brasileiras cresce desordenadamente, maiores são os problemas enfrentados por seus moradores. Dentre eles está o transporte público que vem sendo um Deus nos acuda, um salve-se quem puder. Não consigo entender como um país tão grande como o nosso se dá ao luxo de abrir mão dos trens e metrôs. É preciso ter paciência à beça para não pirar em meio ao caos do trânsito das metrópoles, onde andar a pé, sempre que possível, tornou-se a melhor solução.

Esquecendo, enquanto é possível, a loucura do trânsito, passei a matutar sobre a expressão “paciência à beça”, que não diz respeito a uma pacienciazinha qualquer, mas a uma gigantesca, imensurável, colossal e babilônica paciência. Trocando em miúdos, é uma conformação para humano algum botar defeito.

Contam as fontes pesquisadas que a expressão “à beça” tem sua origem na rica argumentação do jurista alagoano, Gumercindo de Araújo Bessa que, quando debatia, deixava os presentes de queixo caído. Inclusive, numa discussão com Rui Barbosa, na disputa pela emancipação do então território do Acre, ele deu um show de erudição e conhecimento jurídico, deixando muita gente embasbacada, tornando-se muito admirado por sua oratória. De modo que, certa vez, um político ao elogiar um colega por sua brilhante atuação, disse-lhe:

– O senhor tem argumentos à Bessa! (Ou seja, ele estava sendo comparado com o jurista Gumercindo Bessa).

Mas o tempo, que em tudo mete o bedelho, encarregou-se de retirar a inicial do nome (Gumercindo) e os dois “esses” foram transformados em “ç”. De modo que “à beça” significa: em grande quantidade, fartamente, extremadamente…

Poxa! Com tanto blábláblá, acho que cansei o meu leitor à beça!

3 comentários sobre “PACIÊNCIA À BEÇA

  1. edward chaddad

    LuDias

    Há setenta anos aproximadamente, a zona rural tinha uma população bem maior do que a urbana, ou seja, mais de 60% da população vivia na zona rural, o restante na zona urbana. Com o advento da nova agropecuária, ocorreu o êxodo rural, que inchou as cidades e, infelizmente, com um urbanismo mal planejado e inconcebível, legou-nos problemas insolúveis. Hoje, a população rural, se tanto, atinge a 10% da população. Os demais vivem na cidade.

    As cidades cada vez mais superpovoadas estão repletas destes novos problemas como, v. gratia, as enchentes, a mobilidade urbana, a poluição, a habitação, os serviços de saúde e de educação, a violência, a criminalidade, a desigualdade social cada vez mais infame, o saneamento básico, o afavelamento inconsequente, etc. Nem é preciso prolongar-se neste aspecto.

    Não vejo solução nem para o campo e nem para o urbano, sem uma mudança na zona rural, repovoando-a, com uma agricultura família e com a diminuição da abominável agropecuária dos novos tempos, tudo que irá nos proporcionar a desinchação das cidades e o repovoamento, gradativo, das zonas rurais. Precisamos repensar, profundamente, nossos rumos e caminhos.

    Sem destruir, mas diminuir o tamanho da agropecuária atual, que se fecha em monocultura e que, da forma com que está se projetando, destrói o meio ambiente, a flora, a fauna, trazendo-nos a falta de água, é imperativo o retorno de brasileiros que vivem de forma desumana, máxime nas periferias das cidades, para o campo, buscando uma agricultura orgânica, a preservação de nosso ambiente, ou seja, o respeito à flora, à fauna, à biodiversidade, muita educação, muita paz e saúde para todos.

    O tema é extenso, mas sinteticamente, temos que inverter, agora aproveitando a expressão “à beça” o êxodo rural que tantos problemas nos trouxe.

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  2. Mário Mendonça

    Lu Dias

    Não cansou não, o assunto mobilidade urbana é um problema de utilidade pública, e todos temos que cobrar de nossos representantes as transformações necessária para sairmos deste marasmo.

    Tem muita gente (manipulada pela grande mídia) sendo contra os grandes eventos que estão para acontecer no Brasil (copa e olimpíada); se soubessem das melhorias, como saneamento, segurança e mobilidade, que agregam estes eventos não seriam do contra…Fui visitar o Estádio do Corinthians em Itaquera e fiz uma pesquisa… toda a população esta contente com as melhorias em mobilidade (mais e melhores trens, a segurança foi triplicada, onde não havia nada fizerem uma Fatec, Hospital e 50 KM´s de saneamento básico, o Estádio custa um bilhão, aplicações em melhorias no local 50 bilhões).

    “Haja o que hajar temos que ter paciência à beça!”

    Mário Mendonça….

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Mário

      Belo Horizonte virou um canteiro de obras. Penso que, ao final, teremos uma cidade bem melhor, principalmente na parte de locomoção.
      Não resta a menor dúvida de que as preocupações dos governantes, quando o mundo estará de olho para o país, é bem mais séria.
      Daí a importância de tais eventos.

      Sempre haverá a turma do contra, do quanto pior melhor, ou do “não estou vendo nada de bom”.
      Faz parte da filosofia adversária, não importando quem esteja no comando.
      Penso que é assim em todo o mundo, pois são poucas as pessoas que batem palmas para o progresso, não importando quem seja o mentor.
      Eu nem me preocupo mais com isso.

      Grande abraço,

      Lu

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