PINÓQUIO, O POLÍTICO NARIGUDO

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Autoria de LuDiasBH

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O senhor Gapeto, um homem bom e honrado, passava os dias fazendo brinquedos de madeira. Enquanto trabalhava, proseava com Grilo Falante sobre o desejo de encontrar, pelo menos uma vez na vida, um político honesto. Andava desanimado com a roubalheira que via de norte a sul e de leste a oeste de seu país, desde que se entendera por gente. Enquanto falava, ia pondo cores na roupa do boneco que trazia nas mãos. Foi aí que certa Fada Madrinha, ouvindo a conversa do bom homem com seu amigo, resolveu realizar o seu desejo de encontrar um político que tivesse ética e amasse seu povo, a ponto de trabalhar por ele cinco dias por semana, pelo menos, e o defendesse. E o que fez ela? Deu vida a Pinóquio, o boneco, e o dom da palavra.

 Pinóquio foi crescendo, ajudando o pai na oficina, enquanto à noite estudava. Lia muitos livros nas horas vagas, tentando conhecer tudo sobre política, coisa que parecia estar no seu sangue. Depois de ler sobre os filósofos da Antiguidade passou para os modernos. Foi chefe de turma, presidente do grêmio de sua escola, membro do conselho tutelar e depois vereador. Na câmara municipal fazia bonito, defendendo os desfavorecidos e elencando as obras necessárias à cidade. Seus discursos deixavam todos boquiabertos, tão grande era a sua sabedoria. Abominava as propagandas mentirosas e lutava para que o prefeito não gastasse verbas com aquilo que imaginava não passar de sua obrigação: fazer um bom governo. E que, ainda por cima, eram recheadas por grandes petas.

João e Gideão, dois importantes políticos do Estado de Pedras Preciosas, viram em Pinóquio um candidato ideal para trazer votos para a legenda do partido que abraçavam. E foi assim que os dois malandros, com muita conversa fiada e promessas descabidas, convenceram Pinóquio a se candidatar a deputado estadual. Uma vez eleito, o político deixou o pai e a cidadezinha onde ganhara vida, e se bandeou para a capital, onde veio a cair numa teia de aranha, num ninho de cobras, num covil de ladrões. A princípio, o moço apelava pela ética, mas acabava votando nas propostas mais bizarras do grupo, onde o que importava era levar vantagem acima de tudo. Acabou sendo eleito deputado federal, a ética virou éter e ele se tornou apenas um deles. Nada mais que isso.

Apesar do desagrado do pai e da indignação da Fada Madrinha, Pinóquio conseguiu ser eleito governador de Pedras Preciosas, desfraldando um monte de inverdades na mídia e atacando veemente qualquer oposição feita a ele. Quem não era ao seu favor, era seu inimigo. Essa era a tônica de seu governo. Mentia e mentia sobre tudo. Falava que as estradas de seu Estado eram as melhores, a Saúde estava maravilhosa, havia leitos para todos os enfermos, os funcionários estavam ganhando muito bem. Sobre a Educação, as inverdades eram ainda maiores: nenhuma só criança em seu Estado estava sem escola, os professores estavam felizes, porque eram os mais bem pagos do país e sua administração gozava da maior respeitabilidade. Tudo mentira. Tudo embuste. O pior é que comprara toda a mídia estadual, fiscalizada com olhos de lince, que só fazia repetir suas mentiras. O jornal que não rezasse na sua cartilha não recebia verba de propaganda. Todos de seu partido ajoelhavam-se a seus pés e só diziam “Amém”.

Gapeto foi procurar a Fada Madrinha, insatisfeito com o andar da carruagem. Ela lhe disse que não tinha como fazer Pinóquio voltar à vida de boneco, ainda mais porque parte do povo estava hipnotizada por sua astúcia.  O único castigo que poderia lhe dar era fazer seu nariz crescer, cada vez que mentisse. E, assim, o nariz do político foi crescendo, agigantando, avultando, alongando, espigando, expandindo… Pois, o homem não cansava de mentir. Ele lorotou tanto, que chegou um momento em que não mais conseguia ficar de pé, pois o peso do nariz desequilibrava o corpo. Virou um brinquedo maluco que não conseguia ficar de pé, ao contrário do João-teimoso. A princípio, alguns bajuladores seguravam-no pelos ombros, impedindo que caísse, mas, quando o nariz tornou-se tão grande, que ele não mais conseguia entrar nos carros e helicópteros, os puxa-sacos deram no pé, como se nunca o tivessem visto, com medo de que lhes acontecesse o mesmo castigo ou por se sentirem constrangidos a seu lado. O político passou a meter o nariz em tudo, coisa que lhe era peculiar, mas diante da situação em que se encontrava, havia ficado insustentável. Tentou uma cirurgia, só que no dia seguinte, após a plástica, o nariz amanhecia do mesmo tamanho em que estava antes de ser cortado.

Vendo seus planos de alçar voos mais altos na política naufragarem e sua locomoção pessoal ficar cada vez mais improvável, Pinóquio resolveu partir para o Pico da Bandeira, onde vive até hoje como monge. E, como não tem mais mentido, seu nariz vem diminuindo a cada dia. Mas um grande medo mora no coração dos pedras-preciosenses, o de que, quando estiver totalmente reabilitado, ele volte para a política, já que o povo tem memória curta, enquanto nos políticos ela é longa até demais, pois, o poder e a vida boa sempre deixam lembranças inesquecíveis. Logo…

Nota: Imagem copiada de www.portaldarte.com.br

4 comentários sobre “PINÓQUIO, O POLÍTICO NARIGUDO

  1. Manoel Matos

    Lu

    Eu conheço um que tem sido a cópia fiel do Pinóquio, mas ainda não se tornou monge, infelizmente.

    Beijos,

    Nel

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  2. Néiio Lemos

    Oi Lu, mais uma história que nada tem a ver com os políticos do nosso país ( rrrrrr). Minha esperança é que o povo compreenda que para mudar isso depende só dele. Abs

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Nélio

      Eles se sentem imunes a tudo.
      São os deuses do Olimpo.
      Enquanto isso, resta-nos a denúncia.

      Abraços,

      Lu

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