Portinari – CAFÉ

Autoria de LuDiasBH

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A composição Café, obra do artista brasileiro Cândido Portinari, apresenta vários personagens na lida com do cafeeiro: colhendo, limpando, carregando grãos, ensacando, transportando, etc.

A tela mostra uma grande labuta tendo como tema central o café. Os personagens são fortes e monumentais. Na faina, trabalham homens e mulheres sob a fiscalização do capataz de dedo em riste e botas negras. É possível também observar crianças. Dois colossais trabalhadores, segurando duas grandes sacas de café, que levam à cabeça, ocupam o centro da tela.

À esquerda, ao lado da mulher, que descansa sentada ao chão, está uma pilha de sacos de café, enquanto à direita, tomando a forma triangular, está a lavoura verde-oliva de café, com vários trabalhadores fazendo a colheita, com a predominância das mulheres.

Montes de café estão espalhados pela terra vermelha. Não é possível ver o céu. Apenas uma cena foge da temática do café: a figura trepada num coqueiro, colhendo coco. Os personagens não possuem rosto, excetuando o que se encontra com um balde, em primeiro plano, à direita, perto de uma mulher de perfil, assentada, com as pernas abertas e pés descalços. Alguns estão de costas, outros curvados sobre o café, com seus enormes chapéus de palha, outros trazem sacos na cabeça e outros encontram-se muito distantes.

A tela Café fez muito sucesso no exterior, chegando a receber Menção Honrosa. Ela é responsável por incrementar a carreira de muralista de Candido Portinari e por projetá-lo no cenário das artes internacionais, trazendo-lhe encomendas para o Congresso de Washington e para a ONU.

Ficha técnica
Ano: 1935
Dimensões: 130×195 cm
Técnica: Óleo sobre tela
Localização: Acervo do Museu Nacional de Belas Artes, RJ

Fonte de pesquisa
Cândido Portinari / Coleção Folha

2 comentários sobre “Portinari – CAFÉ

  1. Alfredo Domingos

    A composição do artista é sobre o café, sem dúvida. Mas ao observarmos com cuidado, veremos que Portinari trata mesmo é de gente! Gente na lida dura, produzindo riqueza. Notemos também que o verde quase não aparece, dando lugar ao marrom da terra, da saca e do café já colhido. Como foi colocado, o céu não está inserido, numa clara “deixa” de que a vida não é azul da cor do céu, ainda mais na lavoura. A você parabenizo pela escolha da bela tela e pelo excelente texto.
    Meu abraço,
    Alfredo Domingos.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Alf

      Você é um observador perspicaz.
      Nada lhe escapa, o que torna seus comentários valiosos, reforçando o texto ou lhe trazendo novas informações. Muito interessante a sua observação:

      “Como foi colocado, o céu não está inserido, numa clara “deixa” de que a vida não é azul da cor do céu, ainda mais na lavoura.”. E ainda mais naqueles tempos, sob o regime de escravidão em que vivia o trabalhador rural, pois o patrão pagava o que queria.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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