QUE MUNDO ESTAMOS CONSTRUINDO?

Autoria de Edward  Chaddad

ed12

Quanta tragédia em nosso cotidiano. Hoje, a exploração humana não é obstáculo algum para se viver com a consciência tranquila, uma vez que esta é a ética dos novos tempos. O capitalismo é devorador. A sede de lucros é incontrolável. Nada detém a ambição e o desejo de consumir de um grande número de pessoas. Parece haver um prazer incomensurável pelo dinheiro ganho, mesmo ilicitamente, ao explorar o próximo. E há os insensatos que as defendem, acreditando que é a riqueza e o poder que contam.

Há um quadro de insensibilidade diante do homem explorado, quer seja ele boliviano, pau-de-arara, boia-fria ou escravo dos novos senhores feudais, travestidos de grandes empresários, ricos, poderosos e onipotentes. Metam fogo no índio! Joguem ácido no morador de rua! Derrubem a favela! E danem-se seus moradores, crianças e velhos. Que fiquem ao relento. Que morram de frio e de fome. Matem os animais, eles não sentem dor, pois não têm alma!

Há uma indiferença diante da desgraça humana, como se tudo fosse normal. Aceitável. Certo. Do jeito que deve ser, sem sequer o direito à vida. Mais vale um carro zero na garagem do que a verdade, a solidariedade, a dignidade, o trabalho, a honra, o sentimento de justiça, a honestidade, o louvor ao trabalho, o respeito ao próximo e à lei, o direito à igualdade, enfim todos os valores humanos e éticos, que devemos guardar em nosso coração e espírito.

Felizmente ainda há pessoas, embora poucas, que se sensibilizam com o drama e a dor de seu semelhante, buscando auxiliá-lo, mesmo em silêncio, de forma anônima e incógnita.  Buscam os esfomeados, para mitigar-lhes a fome, e os doentes para ajudá-los na cura ou a suportarem o sofrimento. E nas noites de intenso frio, procuram moradores de rua para dar-lhes abrigo ou mesmo um cobertor. E há aqueles, ainda, que se dedicam às crianças, pobres ou deficientes físicas ou mentais,  abandonadas pelos pais e pela vida, muitas vezes exploradas, oprimidas e até violentadas.  Buscam, sobretudo, dar-lhes uma família, educação, saúde, alimentação, ou seja, um viver com dignidade. E também existem os que se condoem com os animais abandonados.

São tais seres humanos almas lindas e puras. E é nelas que ainda deposito minha fé e esperança no dia de amanhã, pois fazem toda a diferença. É uma luta difícil e repleta de empecilhos, mas que deve ser apoiada, pois serve de exemplo para tantas outras. Não vejo nelas o sonhador Dom Quixote, mas seres de muita luz e espiritualidade, impregnadas do sentimento mais nobre que o ser humano possui: a solidariedade, mesclada pela compaixão e pelo amor ao próximo.

Nota: imagem copiada de www.gbiawn.org

4 comentários sobre “QUE MUNDO ESTAMOS CONSTRUINDO?

  1. Mário Mendonça

    Prezado Edward,
    Recomendo a leitura ou releitura do livro “Humano Demasiado Humano”. À nossa querida Lu Dias, também. Temos o raciocínio, mas agimos como se não o tivéssemos, e a humanidade será destruída!

    Abração

    Mário Mendonça

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    1. Edward Chaddad

      Mário

      Hoje você se tornou amante da filosofia e de Nietzsche, autor do livro mencionado. Ele, produto de seu tempo, foi tachado como pessimista, ao lado de Beethoven. Ambos marcados indelevelmente pelo sofrimento e decepção das guerras napoleônicas, que marcaram suas obras. Nietzsche foi até tido como niilista, um filósofo que fazia críticas à sociedade. Tal característica foi explicitamente usada por ele. “É possível que Nietzsche seja um niilista, mas não no sentido do termo em voga, segundo o qual descreve o indivíduo descrente que rejeita qualquer tipo de hierarquia de valores estéticos, éticos, políticos, etc. Nietzsche teria utilizado esse adjetivo para criticar justamente uma determinada época da modernidade, inclusive, sem saber, o futuro – nosso presente.” (Rafael Lauro)

      Nietzsche, Mário, também foi acusado de ter agido como se não tivesse raciocínio, mas lembro-lhe que ele disse: “Deus está morto. Viva perigosamente. Qual o melhor remédio? – Vitória!”. Viver perigosamente, expor-se, tentar mudar o mundo, mesmo a alto preço. E isto, para ele, seria a vitória. E é certo que Nietzsche disse que “toda crença no valor e na dignidade da vida se baseia num pensar inexato; (…) porque cada um quer e afirma somente a si mesmo”

      Penso, Mário, que temos que fazer a nossa parte, como se fosse aquele passarinho que tentou apagar o incêndio na floresta, levando água em seu bico. Escrever, no entanto, é também fazer a nossa parte. E é claro, não só escrever, mas agir. E agi, não fiz apenas o texto, lutei muito durante minha vida, talvez uma luta pequenina como a do passarinho, mas eu fiz minha parte e consegui muitas vitórias, máxime de forma incógnita, pois nunca me interessei em levar os méritos, mas, acima de tudo, alegrar-me e me tornar feliz com o resultado do meu trabalho.
      Penso que a humanidade pode ser destruída, talvez por uma boba atômica, um ato impensado, ou até por um meteoro, mas acredito, ainda, que os seres humanos possam ter pensamentos mais voltados à solidariedade e à compaixão, podendo construir um mundo melhor.

      Abraços

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  2. LuDiasBH Autor do post

    Ed

    Li recentemente um livro denominado “Os Anjos Bons da Natureza Humana”, que comprova, que nunca vivemos tempos mais pacíficos do que os dias de hoje. O autor começa falando dos primevos da vida humana. Mas vejo que os fatos vêm ficando cada vez mais drásticos, com essa onda de terrorismo, assassinatos em massa, indiferença, egoísmo, busca por riqueza e poder, desrespeito à vida animal e vegetal, num despreso absoluto pelo nosso planeta. A sua indagação é pertinente. Se medidas não forem tomadas, caminhamos para a ruína total, como a vista nos filmes “Mad Max”. Excelente texto!

    Abraços,

    Lu

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    1. Edward Chaddad

      LuDias

      Sei que o mundo já foi muito mais violento e cruel. Estudei muito história geral. Porém, hoje, com a tecnologia avançada, a destruição se faz com muito mais amplitude e há ainda o perigo nuclear. Portanto, é como você mencionou:

      “Mas vejo que os fatos vêm ficando cada vez mais drásticos, com essa onda de terrorismo, assassinatos em massa, indiferença, egoísmo, busca por riqueza e poder, desrespeito à vida animal e vegetal, num desprezo absoluto pelo nosso planeta. A sua indagação é pertinente. Se medidas não forem tomadas, caminhamos para a ruína total, como a vista nos filmes “Mad Max”.

      Abraços

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