REFLEXÕES SOBRE O ANO NOVO

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 Autoria de Edward Chaddad

Mais um ano acabou de chegar, mas para muitos, infelizmente, o sentido do novo ano encontra-se unicamente no olhar para frente, pois dizem que não gostam de olhar para trás. Agindo assim, justificam a maneira de vida que escolheram – o olhar voltado apenas para o sucesso pessoal. É uma afirmação individualista que mostra indiferença e  desinteresse pela natureza, pelos animais e seres humanos com os quais coabitam no planeta Terra.

É preciso também olhar para trás e se ligar ao passado. Ninguém irá modificá-lo, é fato, pois o passado é imutável. Porém, o que deixamos para trás nos ensina e lega-nos a experiência e o conhecimento que devemos usar em nosso presente e, consequentemente, prepara o nosso futuro. O que deixamos para trás foi fundamental para o que somos agora. Olhar apenas para frente é tentar vislumbrar o futuro, porém, por mais que o fizermos, o futuro será sempre incerto e mutável, transformando-se, dia a dia, pelos fatos passados e pelo presente que ora vivemos.

Ao olharmos para frente, o que vivenciamos e conhecemos será fundamental para o projeto do que seremos, porém, o futuro é imponderável e incerto, pois qualquer fato fora de nosso controle pode colocar fim àquilo que tanto ambicionávamos. E aí teremos um futuro bem diferente daquele que desejávamos. É com base em tal reflexão que convido todos, neste ano que ora se inicia, para tomarmos uma decisão importante – a de também olharmos  para os lados.

Olhar para os lados é viver o presente, sem ficar obcecado pelo passado ou pelo futuro. É entrar em sintonia com o mundo em derredor. É partilhar sucessos e fracassos, riqueza e miséria, alegria e tristeza, intolerância e amor. É importante compreendermos que é muito melhor para nossa vida e para o mundo, direcionarmos nosso olhar para os lados, numa abrangência muito maior.

Para trás ficou o passado imutável. Para frente será o futuro imponderável. Para os lados está o “agora” compartilhado – nosso presente. Precisamos usar dois sentimentos divinos concedidos por Deus ao ser humano: a solidariedade e a compaixão – ambos frutos do amor fraternal. Com eles seremos capazes de ajudar os fracassados a tornarem-se vitoriosos, acolher os miseráveis e ajudá-los a fazer parte de um mundo mais humano, pregado pelos evangelhos de Cristo. Em suma, podemos levar alegria onde hoje só impera a desesperança.

Ao olharmos para os lados estamos nos ombreando com todos os seres humanos, pois nos tornamos totalmente desnudos do sentimento de superioridade. Estaremos combatendo a intolerância, o preconceito, o ódio, a miséria, o sofrimento, a tristeza,  a desdita, a desgraça, o fracasso e tantos outros infortúnios comuns aos nossos dias, mas que poderão ser vencidos com a solidariedade e a compaixão. Agindo assim, podemos dizer que somos realmente filhos de Deus, feitos à sua imagem e semelhança e que seguimos seus ensinamentos.

Feliz 2019 para todos nós!

8 thoughts on “REFLEXÕES SOBRE O ANO NOVO

  1. LuDiasBH Autor do post

    Ed

    O Exupéry concorda plenamente com a sua visão de olhar só para a frente:

    “Quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe.”

    Abraços,

    Lu

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    1. Edward Chaddad

      Mário

      O texto é o norte contra o individualismo, ou seja, buscar a compaixão e a solidariedade, e isto atinge, de qualquer maneira, o coletivo. Porém, deixei claro que “o que deixamos para trás nos ensina e lega-nos a experiência e o conhecimento que devemos usar em nosso presente e, consequentemente, prepara o nosso futuro.”

      Obrigado pelo seu comentário, mostrando como já sofremos. Que Deus permita que isto não mais aconteça.

      Um forte abraço

      Responder
  2. Edward Chaddad

    Cara Lu

    Creio também que o materialismo de hoje está nos destruindo. E isto acontece em todo o mundo. Nos velhos tempos, os valores humanos eram outros. Tínhamos falhas, erros, o bem e o mal se digladiando. Acho que em todos os tempos isto aconteceu. No entanto, era um mundo muito melhor para viver, pois havia muito mais amor, solidariedade, compaixão, amizade. E são nestes valores humanos que espero que consigamos trilhar, principalmente com a solidariedade e a compaixão, frutos do amor, que poderá nos permitir um sociedade mais homogêneo, principalmente na cultura, educação e saúde.Tenho esperança que possamos crescer e que o trigo floresça muito mais que o joio, que a humildade seja destacada e mostrada como um valor extraordinário, que o altruísmo abrace muitos corações, que o amor vença o ódio, a violência e a crueldade implantada pelo materialismo de nossos dias.

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  3. LuDiasBH Autor do post

    Ed

    Realmente tem sido preocupante esse olhar unicamente para frente, sem nenhuma preocupação com o entorno. A maioria daqueles que têm condições para ajudar a humanidade e o planeta – nossa casa – tem se enquadrado cada vez mais numa postura de omissão, totalmente voltados para si e indiferentes aos clamores deste nosso mundo agonizante. O TER vem cada vez mais substituindo o SER, distanciando-se das palavras de Cristo. Vemos isso por parte dos governantes – eleitos para eliminar o desnivelamento da pirâmide social – e também por parte das classes agraciadas com bens materiais que vivem nababescamente, como se isso lhes fosse um direito “divino”, sendo eles os “escolhidos”.

    O nosso planeta sucumbe dia após dia sob a ganância humana. Em razão disso o aquecimento da Terra está destruindo as geleiras e elevando os níveis dos oceanos assustadoramente. Muitas cidades litorâneas caminham para a extinção, assim como a vida humana e a selvagem. Enquanto o olhar humano não abranger os lados, como você tão sensivelmente explica, estaremos fadados ao caos. O futuro poderá não mais existir.

    Parabéns por suas brilhantes palavras que levam a uma profunda reflexão.

    Abraços,

    Lu

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    1. Edward Chaddad

      Lu

      Excelente sua resposta, mostrando um ensinamento que nos leva e muito à reflexão. Guardei em meus arquivos um comentário sábio que você fez a um texto que fiz, lá no tempo do Alma Carioca. Nele você alerta:

      “A humildade e o amor, amigo, estão cada vez mais frequentes em minúsculas doses. A competição é ferrenha, até mesmo quando se trata de coisas simples, em que o espírito de unidade deveria permanecer. Muitas pessoas passam pela vida carregando a certeza de que são seres especialíssimos, diferentes dos demais.Ficam presas no seu ninho de egocentrismo, sem jamais lançar um olhar em derredor. Vivem numa eterna competição. A competição é um caminho para a falta de ética, num mundo em que se tenta conseguir as coisas a qualquer custo, de modo que os meios justificam os fins”

      Mostrou, ao que me lembro, os efeitos do materialismo em nosso mundo e, agora, com detalhes mostrou a destruição que está causando à natureza, aos animais e a todos nós, seres humanos. É verdade que “O futuro poderá não mais existir”. Porém temos que continuar acreditando e tendo esperanças. Sonhar é preciso.

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    2. Mário Mendonça

      Prezada Lu Dias

      O tempo é algo que tomamos como garantido, mas os filósofos “presentistas” argumentam que não existe nem um passado nem um futuro – apenas o presente existe a qualquer momento. De acordo com um grande estudioso budista, Fyodor Shcherbatskoy: “Tudo que é passado é irreal, tudo o que é futuro é irreal, tudo imaginado, ausente, mental… é irreal… Em última análise, real é apenas o momento presente de eficiência física ”. (das 10 teorias interessantes sobre a realidade)

      http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=13106

      Abração

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      1. LuDiasBH Autor do post

        Mário

        É verdade que somente o tempo presente existe, pois um (passado) já se foi e o outro (presente) está por vir e, quando chegar, também será presente. A divisão em presente, passado e futuro é uma maneira para ajudar o homem a planejar a sua história e a avaliar as suas ações passadas. Se os seres humanos fossem guiados apenas pelo bem comum, não haveria necessidade de dividir o tempo, ainda que ilusoriamente.

        Abraços,

        Lu

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