REMOTA MEMÓRIA DA PALAVRA “ESTRELA”

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Autoria do Prof. Rodolpho Caniato

Como todos os anos, a aproximação do Natal vinha acompanhada de grandes expectativas. Para minha mãe, suíça, vinda de sua terra com 15 anos de idade, a árvore de Natal era coisa obrigatória e a cada ano sua montagem ganhava algum acréscimo na ornamentação. Desde muito criança participei dessas montagens, ajudando minha mãe com uma dedicação quase religiosa.

Os ornamentos da árvore eram de muitas formas e me deixavam sempre deslumbrado pelo seu brilho. Além das bolotas coloridas, as velinhas e o seu cheiro ajudavam na formação de um ambiente que para mim era mágico. No topo de nossa árvore ia o adorno mais bonito e mais cheio de significado: uma estrela reluzente com um dispositivo para adaptá-la à ponta de nosso pinheiro. À medida que ia se aproximando a noite do Papai Noel, minha expectativa ia num crescendo de ansiedade. Ao chegar a noite de Natal minha ansiedade quase não me deixava dormir. A grande expectativa era pelos presentes que o bondoso Papai Noel deixaria aos pés da árvore naquela manhã de Natal.

Numa dessas noites de intensa ansiedade, eu estava mais agitado que de hábito. Esse agitamento estava impedindo que eu fosse dormir e, com isso, estava amolando meus pais com meu anseio desmedido. Eu não queria ir para a minha cama que ficava junto a uma janela. Mesmo na cama eu insistia em ficar de pé. Meu pai, talvez já impaciente com minha insistência para ver a “chegada” do Papai Noel, ordenou para que eu me deitasse. Diante de minha “resistência” em obedecer, ele procurou me explicar: “Não adianta esperar, porque o Papai Noel vem de muito longe”. –“Mas vem de onde?” –“Ele vem de uma estrela, lá do céu”, disse ele.

Em pé em minha cama junto à janela, eu olhei para fora, e devo ter visto uma estrela. Pela primeira vez uma estrela deixava de ser apenas o adorno maior de nossa árvore de Natal, e passava a ter o sentido de um lugar distante, de onde vinha o tão esperado Papai Noel. Esta é minha mais remota memória da palavra estrela.

Nota: Extraído do livro “Corrupira”, ainda inédito, do autor.

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