SABER DE COR E SALTEADO

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Autoria de Alfredo Domingos

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Tudo que é molecagem Firmina sabe “de cor e salteado”. Guarda na cabeça coisas do arco da velha. Da vida de artista e de jogador de futebol, então, não lhe escapa nadinha. Domina que aquele namora a tal pessoa, quem frequenta o quê, e por aí vai… Agora, se for coisa séria, referente à escola ou a algum recado, aí não dá boa obra. A moça é traquinas a valer! Com esperteza aguçada, sem limite para controlar. Tem ouvidos de tísica, como se dizia nas antigas. Mesmo estando longe, fica sabendo de qualquer assunto. Parece invisível, surgindo, quando lhe é conveniente, do acaso! E para completar, tem passada imperceptível!

Tia Jacinta pegou Firmina para criar desde menina de meses, e a tem como filha, já que Deus não lhe deu uma pela natureza normal. Dessa forma, sempre excedeu nos mimos e na condescendência em relação a Firmina. A propósito, recorro à destrambelhada para poder desembocar na expressão “saber de cor e salteado”, originária da frase “eu sei de coração” (“cor” em latim é coração – que corresponde a ter no sentimento, manter na intimidade da alma) e que, paralelamente, relaciona-se à expressão francesa “Je le sais par coeur” e à americana “Know by Heart”.

O tempo transformou o que era “coração” em o que é hoje “cor” (decorado, retido na memória), fazendo contraste da ideia primitiva de emoção para o consenso atual de coisa concreta, ligada aos números (conteúdo da matemática), datas, placas de automóveis, nomes de vultos da história, CPF, endereços eletrônicos, acidentes geográficos, etc. Tudo frio, repetido sem reação sanguínea. Quer tarefa mais sem graça do que a obrigação de decorar os afluentes das margens do rio Amazonas?

Aliás, a ordem de “decorar” a matéria para a prova pode ser substituída pelo conselho de bem assimilar a lição para transformar a nossa vida. A cobrança da nota boa por meio da “decoreba” deve dar lugar à indicação de que o conhecimento leva às conquistas, no campo em que venhamos a nos meter.

Todas as maneiras atuais de consulta estão ao alcance, em quaisquer condições e horários, e de forma variada. Então, deixo a dica: esconda bem no fundo do baú a embolorada mania de decorar. O essencial vem à tona, naturalmente, fruto do uso, gosto ou necessidade. Não se preocupe!

Obs.1: o “salteado” da expressão refere-se a decorar sem respeitar a ordem.
Obs.2: o escritor moçambicano Mia Couto, fazendo troça, altera o conhecido pelo novo, usando: de cor e sal tirado!

Pesquisa:
gaiaarquitetura.blogspot.com.br

Nota: Imagem copiada de www.bing.com

2 comentários sobre “SABER DE COR E SALTEADO

  1. LuDiasBH Autor do post

    Alf

    São tantas as informações, que está cada vez mais difícil de saber as coisas de cor e salteado.
    Aposto que nem a Firmina está dando conta, sendo mais implicância da Tia Jacinta.

    A escola de antigamente era praticamente baseada na decoreba.
    Pouco importando a compreensão do aluno. Um horror.
    A postura crítica ia para as cucuias.

    Grande abraço,

    Lu

    Responder
    1. Alfredo Domingos

      Lu, obrigado pelo contato. O ideal é o entendimento, em todas as atividades. Mas tem gente que se dana a saber coisas de cabeça, para mostrar conhecimento e fazer média. Porém, quem convive sabe bem avaliar o valor do sujeito.
      Abraço,
      Alfredo Domingos

      Responder

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